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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta terça-feira: ''Peixes mortos em águas turvas"

Editorial desta terça-feira: ''Peixes mortos em águas turvas"

Redação

16/06/2015 - 00h00

Nesta busca pela transparência nos contratos envolvendo o aquário, é necessária também mais clareza em meio ao ambiente turvo criado em torno da morte dos peixes

E m construção desde 2012 e ainda sem uma data certa para ser inaugurado, o Aquário do Pantanal, empreendimento que já custou mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos, continua sendo uma fonte inesgotável de polêmica. Desta vez, o que chama a atenção é a morte de milhares de peixes que povoariam a atração turística, cujo valor, gasto na compra e manutenção, passa dos R$ 5 milhões. 

Falta ainda muita informação e transparência para esclarecer o que realmente houve com os animais, que estavam sendo preparados desde o ano passado para ser uma das atrações do Aquário, localizado no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. Por enquanto, quem se pronunciou oficialmente, ainda que por meio de um relatório, foi somente a empresa Anambi Ambiental, responsável pela manutenção dos peixes. No documento, a Anambi relata a morte 10,1 mil unidades, sendo que 81% deste total morreu de frio.

A falta de credibilidade deste relatório é um problema ainda a ser apurado. Informações obtidas pelo Correio do Estado indicam que somente 5 mil exemplares estariam acomodados nos tanques da Polícia Militar Ambiental. A única coincidência entre o relatório oficial e as informações obtidas com pessoas que acompanharam o processo de aquisição dos peixes é de que apenas aproximadamente 2 mil animais permanecem vivos.

Diante de todo o problema noticiado, mais um que envolve o quase interminável Aquário do Pantanal, algumas dúvidas continuam pairando, como por exemplo: o responsável pela morte dos animais, a quantidade de peixes que, de fato, morreram. Outro ponto a ser esclarecido é o destino dos exemplares que ainda estão vivos, e qual o plano para substituir os peixes mortos.
São muitas perguntas, e praticamente nenhuma resposta da administração estadual desde a semana passada, quando a mortandade foi revelada. É esperada uma resposta do Secretário Estadual de Meio Ambiente, Jaime Verruk, para falar sobre o plano para substituição dos peixes que morreram, e quem investigará a perda dos exemplares já adquiridos.

Qualquer pessoa conhecedora da fisiologia dos peixes, independentemente do habitat de origem do animal, sabe que é quase impossível que a variação de temperatura tenha causado a morte de 81% dos exemplares, pois pelo menos as espécies locais (da região do Pantanal) já estão habituadas com estas variações de temperatura, que, na comparação com o período de outono/inverno mais rigoroso dos outros anos, ainda não foram tão intensas em 2015.
Ainda que a grande maioria dos peixes do Aquário do Pantanal tenha morrido de frio, é necessário que se apure rigorosamente as causas da mortandade, pois, caso confirmada esta improvável causa, alguém foi negligente no trato com os animais.

Neste momento de busca pela transparência nos contratos envolvendo o Aquário, é necessário também mais clareza diante do ambiente turvo que está sendo criado em torno do episódio da morte dos peixes. Um aquário só cumpre sua finalidade, quando tudo o que se propõe a mostrar, pode ser visto a olho nu. 

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