Tratados como vilões nas últimas décadas, os ovos foram redimidos de sua fama de vilões alimentares. Esta estória de idas e vindas de opiniões sobre alimentos e medicamentos não é propriamente nova. Um clássico exemplo consiste na heroína, comercializada pela Bayer no final do século 19, como um analgésico fantástico e heroico, o que originou seu nome comercial. Após a descoberta de que causava forte dependência, a mesma foi descontinuada em 1913, abrindo espaço para a aspirina.
Com os ovos está ocorrendo exatamente o inverso. No início do século XX, Nikolai Anichkov demonstrou, utilizando coelhos, que ovos batidos em óleo causavam entupimento das artérias. Entretanto Nikolai cometeu erros que o levaram a conclusões equivocadas. Primeiro, utilizou óleo vegetal, que aumentava sinergicamente o potencial de dano arterial. Além disso utilizou coelhos como modelos animais, que hoje se sabe, são muito mais sensíveis que os humanos a danos cardíacos causados por excesso de gordura. Neste momento se criava o mito de que ovos causavam mal a saúde. Entretanto, dados publicados nos últimos anos levaram o Departamento de Agricultura Americano a modificar radicalmente a avaliação do uso de ovos na dieta humana, sendo este agora sugerido como alimento funcional.
Esta alteração é de fato a mudança de padrão mais radical dos últimos tempos na área de nutrição humana, demonstrando para os mais incrédulos, que o consumo de colesterol alimentar não faz mal ao coração. Sabe-se que o colesterol está diretamente envolvido na construção de membranas celulares e também pode ser o precursor de hormônios em nosso organismo, mas quando em excesso pode levar a problemas de entupimento de veias e artérias. O colesterol pode ser proveniente de alimentos como ovos e carnes ou produzido pelo corpo humano. O que não se tinha certeza era se o colesterol ingerido de fontes alimentares poderia causar danos à saúde.
Hoje o que se tem certeza é que apenas 30% do colesterol alimentar pode ser absorvido pelo corpo humano graças a um mecanismo de defesa corporal. Além disso uma publicação na American Society of Nutrition demonstrou que o colesterol alimentar aumenta muito pouco o LDL, conhecido como colesterol ruim, mas aumenta consideravelmente o HDL, batizado pela mídia como colesterol bom. Desta forma o colesterol alimentar proveniente de ovos e de outros alimentos aparentemente não causa danos ao coração, mas fantasticamente o protege. Em suma, alimentos com altos índices de colesterol como ovos, frutos do mar e peixes podem agora serem consumidos sem culpa.
Entretanto vale ressaltar que todo excesso pode trazer malefícios a saúde uma vez que estes alimentos também são ricos em calorias, podendo causar sobrepeso e posteriormente obesidade, especialmente se combinados como alimentos ricos em carboidratos. Dentre estes, o açúcar, continua ainda sendo visto com enormes restrições, sendo considerado completamente dispensável pelos nutricionistas. Apenas o açúcar encontrado em frutas e mel são suficientes para manter nosso corpo saudável e funcional. Assim cai por terra um dos maiores vilões nutricionais do último século, que agora junto com o vinho e seu resveratrol, podem ser considerados amigos do coração. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.