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Altemir Dalpiaz: ''Refugiados''

Altemir Dalpiaz: ''Refugiados''

Redação

17/06/2015 - 00h00

Cada embarcação que consegue se aproximar das costas dos países europeus, traz consigo, pessoas desesperadas exercendo um dos mais primitivos instintos, o da sobrevivência. Sobreviver aos mais diferentes tipos de ameaças, como conflitos internos, guerras  e o seu resultado, a pobreza.

Em tempos de propagação da globalização e seus efeitos, cabe aqui um olhar dentro do contexto histórico, desde quando a Europa serviu de inspiração, ou ainda, de modelo para as vidas daqueles que são considerados como o “resto” do mundo. 

Vale lembrar que o estabelecimento dessa supremacia ocidental, nos campos das artes, das ciências, das religiões, dos esportes e de tantos outros setores da sociedade, privilegiaram um modelo de cultura que “deveria” penetrar e se perpetuar em outros lugares do novo mundo. 

Quando em suas embarcações navegadores europeus atravessaram mares, não deixaram, porém, de forma invasiva e transgressora, impor suas culturas, que estavam blindadas inclusive em suas religiosidades. A necessidade de domínio provocou a escravização de nativos por onde chegavam e não sendo isso suficiente, “importaram” miseráveis de outros lugares para darem conta do serviço pesado e exaustivo, na pilhagem que faziam nas riquezas desses lugares. Dessa forma, saquearam esses povos duas vezes: primeiro em suas liberdades, segundo, na retirada de suas riquezas naturais para seu enriquecimento lá na Europa. Tudo o que para lá foi levado, estava manchado com o sangue da invasão. Logo em seguida catequizaram e vestiram o explorado com as verdades de suas certezas. Esse modelo de vida, o europeu, ganhou vida e força, se eternizando em culturas, mentes e ações.

Enquanto a globalização se torna um acontecimento em que economias internacionais avançam sobre o globo, por outro lado, os sujeitos exprimidos e oprimidos em suas funções de produção, enxergam além das fronteiras uma possibilidade de fugir a esse processo, nem que para isso, a própria vida esteja em jogo. A liberdade às vezes, ganha sentido além da vida.

Agora, o tempo e o processo histórico se encontram nessas voltas que as coisas fazem e aí a Europa está recebendo de volta o que ela fez e ajudou a produzir em tempos passados. O ideal europeu de vida construído ao longo da história, hoje atrai seus explorados, que em precárias embarcações, fazem o caminho da volta. Diferente do que ocorreu, o saqueado vai até o explorador cobrar a conta. O colonizador por sua vez, dizimou e importou as riquezas materiais desses países.

O sustento que vinha com o suor e sangue do colonizado se exauriu e agora o faz refém do modelo que criou.

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