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OPINIÃO

João Batista Pereira: ''A força da mentira''

João Batista Pereira: ''A força da mentira''

Redação

18/06/2015 - 00h00

A mentira, repetida várias vezes, faz o mentiroso acreditar ser verdade incontestável. A escravidão física não está extinta porque muitos ainda sofrem desse mal. Entretanto, a mais repulsiva, a mais perversa escravidão não é a física, é àquela em que a moral se deteriora, apodrece, e a subserviência se agiganta com o asqueroso modelo do toma lá da cá sobrepondo à ética, à lisura, à honestidade, desnudando o caráter do político brasileiro, com exceção. A tolerância de suportar a degradação machuca pessoas de bem que se revoltam, mas não lutam. Conforme Nelson Rodrigues, o brasileiro mesmo diante de tragédias inventa, na hora, uma piada. É a válvula de escape para expressar um sentimento; e se piada não fizer rir, por conta de tanta mentira, não há porque deixar de sorrir, pois somos nós, brasileiros, a própria piada. A cada eleição as ilusões são renovadas o bastante para nelas se acreditar e esquecer o sofrimento. “O sucesso, a imagem e a eficiência está acima da lealdade, da fé e da honestidade e não há problemas em mentir quando isso vise um fim politico” (Maquiavel). Assim, não se deve chorar se Dilma e Lula mentem. “Vivemos em um mundo em que as palavras perdem seu sentido real, esvaziam-se diante dos riscos de se tomar atitudes ou emitir opiniões.” Luiz Fernando Sá “Isto É” (edição 10/06/2015).
Ao doar e receber benesses existe o sonho de que se vive num paraíso. É o direito de assim sonhar, mas, na realidade, em nada favorece a Nação. Neste universo de indivíduos, se há benefícios, não importa se ocultaram ou ocultam a verdade, a ideia forjada é ser contra a elite e responsabilizá-la por todas as mazelas que acontecem no país. Na propaganda política do PT há enganos e mentiras. É inverdade ao afirmar que o governo Dilma Rousseff colocou figurões na cadeia por corrupção. Quanta desfaçatez.

Não fossem a tenacidade de integrantes das polícias, do Ministério Público e de juízes (despontando Sérgio Mouro) empenhados em retirar a sujeira debaixo do tapete desde a era Lula com seus oito anos de mandato e quatro da presidenta, tudo continuaria como dantes. Aliás, quem preside o Brasil Dilma ou Lula? Regozijam-se pelo fato de muitos ascenderam à classe média. Excetuando um número ínfimo, a maioria da ascensão se faz à custa de quem trabalha e paga altos impostos. Ufanam-se das vitórias de negros, pardos e índios frequentando faculdades e ingressando no serviço público através das cotas. Não existe perdão para quem subestima a capacidade das pessoas e não se sensibiliza e nem quer perceber que as cotas ao invés de elevar a autoestima, acabam por destruí-la. O que diriam Castro Alves, o Poeta dos Escravos, autor de Navio Negreiro, e amigos, dentre eles Rui Barbosa, ao fundarem um grupo de abolicionistas? E José Carlos do Patrocínio, negro, cursou medicina, mas se formou em farmácia, filho de mãe alforriada?  Durante o Império, José do Patrocínio foi figura importante. Muitos negros, Joaquim Barbosa, ministro do STF, e médicos, advogados, juízes, empresários, professores venceram sem ajuda de cotas. É um delírio achar que se resgatam erros do passado com erros ainda maiores.

“Aqueles que mentem para obter ganhos pessoais não se mantêm juntos por muito tempo, especialmente quando as dificuldades diminuírem os benefícios” (Moreland). Mentem, sem pudor, e quanto mais se esperneia mais se afunda. No caso Watergate, Richard Nixon, que presidiu os Estados Unidos, renunciou, e Charles (Chuch) Colson, um dos implicados, teria falado da dificuldade de um grande grupo de pessoas manterem uma mentira por um período extenso de tempo. O jeito petista e de aliados, comparando consciências para governar, não é aceito por milhões de brasileiros; o que ascende a esperança de ver a mentira se desmoronar.

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