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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta sexta-feira: "Previdência e planejamento"

Editorial desta sexta-feira: "Previdência e planejamento"

Redação

19/06/2015 - 00h00

Se existe algo em que qualquer gestor, seja público ou privado, não pode agir por impulso, é com o futuro das pessoas  

A palavra previdência, originária do latim, está diretamente relacionada à previsão, prevenção, e antecipação, palavras que também tiveram origem no termo “praevinire”. O que ocorreu na última quarta-feira, quando a presidente da República Dilma Rousseff editou uma medida provisória para substituir o veto a uma lei, realizado no limite do prazo, é tudo que poderia ir contra o conceito de previdência.

A evidente falta de planejamento com um dos setores do governo e da vida particular que mais exige antecipação, previsão, expõe a desorganização que vive o atual governo do PT. Não se deixa para a última hora, o veto de um assunto tão importante para o cotidiano de milhões de brasileiros.

A instabilidade institucional, tão presente nas obras públicas, na saúde, na educação e na economia do país, agora dá o ar de sua graça na previdência social, e leva incerteza também, às aposentadorias dos cidadãos.

É notório que a expectativa de vida do brasileiro aumentou no último século e tende a ser maior ainda nas próximas décadas. Também está claro que as pessoas que trabalharam e contribuíram legalmente para a construção do país merecem uma aposentadoria digna. Mas também é preciso encontrar a equação ideal para que não recaia sobre os ombros do trabalhador atual, o peso da aposentadoria daqueles que um dia integraram o grupo da população economicamente ativa do Brasil.

O Congresso Nacional, no início deste ano, conseguiu acabar com o injusto fator previdenciário, que punia quem começou a trabalhar mais cedo, e favorecia quem começou a contribuir tardiamente, porque estabelecia idade mínima (60 anos para mulheres e 65 para homens) e o mínimo de 30 e 35 anos de contribuição, respectivamente. Pela regra vetada anteontem pela presidente Dilma Rousseff, um homem que começou a trabalhar com carteira assinada aos 16 anos de idade, poderia se aposentar, integralmente aos 52 anos, tendo contribuído por 35 anos

A medida provisória editada ontem pelo governo federal, mantém até 2017, esta vantagem da lei vetada anteontem, mas pune os trabalhadores com uma fórmula injusta, que aumenta, em médio prazo, para 40 anos o período de contribuição de trabalhadores que já pensam em sua aposentadoria.

As centrais sindicais, uma das bases de sustentação social do governo Dilma, estão se posicionando contra a atitude da presidente em relação ao fator previdenciário. O veto da última quarta-feira, é mais uma demonstração da inabilidade política dela, que além de ver, a cada dia, crescer a quantidade de opositores, perde apoio da base que ajudou a reelegê-la.

Se existe algo que qualquer gestor, seja público ou privado, não pode agir por impulso, ou no afogadilho, é com o futuro das pessoas. Qualquer cidadão não gostaria que uma instituição bancária alterasse regras de um plano de previdência privada. O mesmo se aplica na previdência social. O setor não deve ser ameaçado pela insegurança, e a gestão de seus recursos deve ser a mais transparente possível, pois ela é a recompensa do governo pelo trabalho dos cidadãos que contribuem para a construção do País. 

 

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