Já não era sem tempo a intervenção na BR-060. Em abril deste ano, reportagem do Correio do Estado evidenciou a discrepância da situação da estrada e da BR-163
Anos de abandono deixaram marcas nas estradas em Mato Grosso do Sul. Não há quem não tenha enfrentado trechos esburacados, sem sinalização ou asfaltamento nas rodovias que cortam o Estado. Por isso que as mudanças, mesmo que ainda pequenas, são vistas com grande expectativa, principalmente por aqueles que utilizam rotineiramente o transporte terrestre. É o caso da manutenção da BR-060, trabalho que estende-se em 302 quilômetros, de Campo Grande a Bela Vista, que voltou a ser feita pelo Departamento Nacional de Infraestrutura Rodoviária (Dnit) a partir de abril. Ainda é pequeno caminho, mas é a demonstração da retomada de trabalho que tem importância logística para escoamento de safra.
Os contratos firmados com duas empresas totalizam R$ 36,8 milhões, durante período de dois anos, em obras de manutenção. Embora não seja oficialmente, ainda, de responsabilidade do Governo Federal, faz parte do processo de retomada da responsabiliade sobre a conservação da rodovia, iniciada no ano passado. O Dnit informou que, enquanto a portaria normativa não for publicada, cabe ao órgão aplicação de recursos federais na realização de serviços de manutenção e conservação.
Já não era sem tempo a intervenção na BR-060. Em abril deste ano, reportagem do Correio do Estado evidenciou a discrepância da situação da estrada e da BR-163, sob responsabilidade do setor privado. A rodovia que corta Mato Grosso do sul e integra as regiões Sul ao Centro-Oeste e Norte do Brasil foi conhecida pela alcunha de “rodovia da morte”, situação agravada, além da imprudência do motorista, das condições da rodovia. Para quem passa hoje pela 163, é notória a diferença, com as esperadas obras de duplicação a pleno vapor, sinalização à vista e asfaltamento que pode ser descrito como “tapete”. A BR-060, no entanto, era o retrato do descaso público.
Naquela época, a reportagem percorreu caminho de Bandeirantes a Camapuã e constatou a dificuldade que os motoristas passam: crateras no meio da pista que obrigam o condutor a fazer verdadeiro zigue-zague.
Para 2016, existe a previsão de que outras duas importantes rodovias sejam entregues à concessão para iniciativa privada, por meio de leilão, conforme Plano de Investimentos em Logísticas: a BR-267, entre Nova Alvorada do Sul e Bataguassu, com previsão de investimento de R$ 2 bilhões em duplicação e melhoras na qualidade do serviço prestado e a BR-262, entre Três Lagoas e Campo Grande, também com duplicação e investimento de R$ 2,5 bilhões.
Independentemente do modelo adotado, seja iniciativa privada ou gestão pública, é imprescindível que haja fiscalização do Executivo e do Ministério Público. No caso da concessão, se o contrato firmado com está sendo seguido à risca e os investimentos prometidos estão sendo executados.
Em se tratando das administrações públicas, o uso dos recursos e, claro, o cronograma dos trabalhos. A própria BR-060 é exemplo de como a falta de vigilância pode ser nociva: a empreiteira contratada não cumpriu o prometido, mas até que a solução fosse tomada, com a rescisão do contrato, a estrada ficou abandonada. Os novos ventos apontam para melhoria do transporte terrestre. Fortes setores econômicos agradecem, como os produtores de grãos que já contabilizaram perdas importantes por conta das condições das rodovias. A população também.