Números divulgados no último sábado pelo Datafolha indicam que Dilma só não tem reprovação maior que a de Collor.
Quando pensamos que algo não poderia se repetir, e que notícias ruins, poderiam ser ainda piores para a população, o governo da presidente Dilma Rousseff, se supera. Encurralada por uma grave crise econômica, e inerte diante de escândalos de corrupção, a popularidade da mandatária vai, a cada dia, ladeira abaixo.
Números divulgados no último sábado pelo instituto Datafolha indicam que a atual presidente da República só não tem reprovação maior que a de Fernando Collor de Mello em setembro de 1992, no período que antecedeu seu impeachment.
O levantamento publicado anteontem mostra que 65% do eleitorado brasileiro considera o mandato de Dilma Rousseff, ruim ou péssimo. Há mais de duas décadas, antes da queda de Collor, a reprovação dele era de 68%.
Não será nenhuma surpresa se Dilma Rousseff se tornar, nos próximos meses, o chefe de governo com a pior avaliação pela população desde a retomada do regime democrático, em 1988. A pesquisa do Datafolha foi realizada antes das prisões dos executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez na Operação Lava Jato da Polícia Federal, e os resultados poderiam ser ainda piores para a mandatária.
Na outra ponta da pesquisa, outra notícia preocupante para o PT, partido da presidente. Somente 10% do eleitorado considera a administração de Dilma boa ou ótima. Uma clara indicação de que a presidente está desagradando sua base de eleitores.
O resultado do levantamento levou em consideração uma série de eventos negativos que ocorreram na última semana: o risco de rejeição das contas do ano passado do governo federal pelo Tribunal de Contas da União. A administração chefiada por Dilma tem pouco menos de um mês para explicar as manobras contábeis para escapar das punições da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O desemprego crescente divulgado na quinta-feira, o pior desta década, conforme o Ministério do Trabalho, também ajudou a derrubar a popularidade da presidente. Os dados transmitem insegurança à população, que com o enfraquecimento da atividade econômica, já teme dias difíceis pela frente.
Pior que a rejeição da presidente, o pessimismo da população, que atinge 73% dos brasileiros, é um dado alarmante. Para superar uma crise econômica é preciso uma dose grande de otimismo, algo muito raro no meio empresarial, setor responsável pelos investimentos que dão fôlego à economia brasileira.
O setor público, que é quem poderia ajudar com a injeção de otimismo, até agora, apresentou somente medidas muito tímidas, como o plano de concessões, que prevê investimentos em infraestrutura em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, mas, somente com recursos da iniciativa privada, e em médio e longo prazo.
É necessário que o governo federal anuncie medidas que aqueçam a economia imediatamente, se não quiser testemunhar o afundamento ainda maior do País em uma onda de pessimismo.
Estados e municípios já sentem diretamente os efeitos da crise: estão arrecadando menos, porque a atividade econômica, que é o fato gerados de quase todos os tributos, é cada vez menor.
Infelizmente, estamos assistindo, junto com a presidente - que deveria tomar uma providência - a construção de um cenário ainda mais trágico para o País.