Mas não tanto, até porque o momento em que nós brasileiros estamos passando é de preocupações múltiplas. Já vivenciei ao longo desse oitenta e três anos – graças a Deus – algumas crises políticas e mesmo institucionais que atingiram em cheio nosso país. Algumas de conteúdo político de interesses difusos como as de 1954 e 1960; outras que poderiam abalar nossas tradições democráticas, também algumas com características predominantes no campo econômico como a de 1972 que rasparam nossa pele acicatada pela alta exagerada, quão inesperada, nos preços do petróleo; a decorrente dos desalentados planos de salvação da economia desde 1980 até o início de sua recuperação com o Plano Real em 1995. Para todos anteriores ao Real houveram aplicação de medidas suasórias com pouco ou nenhum efeito sobre a indisposição da economia. Registros estão aí para comprovar.
Tenho para mim que a situação vexatória que hoje tanto nos preocupa tem raízes mais profundas e idade mais avançada. Ninguém, mesmo os desafetos ou que ojerizam o lulopetismo nega os avanços alcançados nos campos sociais nestes últimos vinte anos, para onde se dirigir a vista. Isto nos têm dado energia para, com certo estoicismo, enfrentar as alegorias e anáforas com que nos tentam enganar o atual governo. A insatisfação é generalizada. Não há ambiente em qualquer de nossas hierarquias econômicas que estejam a contento. Com a inflação alta e com viés de elevar-se ainda mais, não há cristão brasileiro com cara de sorriso. A decepção está tão elevada como água quente para limpar porco...
Depois dos esbanjamentos de recursos, eis realizados sem a filtração recomendada pelos economistas sensatos, mas pela submissão canina e sabuja do então ministro da Fazenda para atender os apetites eleitorais do staff governamental, a carruagem financeira disparou e perdeu controle. (De passagem dizem que o então ministro está chorando pelos cantos em razão do desprezo a que foi relegado no sereno do oficialismo).
O leite está derramado e as tentativas de recolhê-lo pelos instrumentos de ajuste fiscal, constituem ainda uma expectativa. E o Brasil almeja que elas ocorram. Porém está difícil, muito difícil.
Como disse o sempre lembrado o então primeiro ministro da Inglaterra no curso da Segunda Guerra Mundial Winston Churchil, nos dias amargos de seu país, para vencê-los “haverá choro, suor e lágrimas” para seu povo. É o que está iniciando acontecer aqui em nosso Brasil.
A minha crença, aliás de todos nós, é que Deus é brasileiro e Ele nos tirará deste estágio purgatorial.