Há alguns dias, assistimos aos senadores brasileiros serem impedidos, dentro da Venezuela, de cumprir sua visita aos presos políticos do governo daquele país. Assim como o PT no Brasil, a Venezuela também tem seus militantes, defensores da ditadura bolivariana, nada diferente dos grupos como MST e centrais sindicais daqui. Evidentemente, o grupo que impediu a visita dos senadores faz parte dessa “militância”.
A Venezuela vive uma profunda crise de instabilidade econômica política e social, passa por uma recessão que provoca a falta dos itens mais básicos e uma inflação que chega a 70%.
Os maiores afetados são evidentemente os mais pobres, que sempre foram a base de sustentação do chavismo. Entretanto, o mais preocupante é o atentado à democracia e à liberdade de expressão e de imprensa que segue sob o ensurdecedor silêncio da esquerda brasileira, em especial, o governo do PT, que insiste em se omitir diante das mortes de estudantes pela polícia venezuelana, em protestos contra o governo, e das prisões políticas.
Com a imprensa estatizada, a pauta é tão somente a defesa de Maduro e justificativas das prisões dos opositores do governo, sob a alegação de “conspiração” e de “golpe”. Por lá, políticos opositores são presos, inclusive, o prefeito da capital Caracas, Ledezma, poderá ficar 28 anos na prisão. Contudo, o bloco pró-governo insiste em afirmar que a Venezuela é uma democracia e que luta por “mais democracia”.
Afinal, o que o Brasil tem a ver com isso? Além de seus ofícios diplomáticos, o Brasil tem entre seus principais sócios comerciais a Venezuela, que faz parte do bloco econômico Mercosul, a quem vende 5 bilhões anuais. Contudo, o protocolo de Ushuaia estabelece que o sistema democrático, e o consequente respeito às instituições, é uma condição sine qua non para que um país pertença ao bloco e, portanto, a Venezuela já deveria ter sido retirada do bloco.
Todavia, a nossa presidente, o ex-presidente Lula e toda a esquerda brasileira são coniventes e cúmplices da ditadura bolivariana travestida de “democracia popular”. Tal “democracia popular”, que foi denominada por Chávez de “socialismo do séc. XXI”, é defendida com passionalidade pelo PT. Aliás, no caderno de teses do PT, sob o título: O PT para tempos de guerra, apresentado este mês, no último congresso do partido, traz 165 páginas de propostas antidemocráticas para mudar o Brasil. Assim como na Venezuela, eles propõem a estatização e o consequente controle dos meios de comunicação e das mídias virtuais; a reestatização de empresas e de infraestrutura; o controle do mercado financeiro; perseguição aos movimentos liberais; liberdade “especial” para os movimentos sociais; anulação do julgamento do mensalão e punição aos ministros que julgaram pela condenação. Qual a diferença entre as aspirações do PT e o governo da Venezuela?
O PT nunca escondeu que prefere qualquer bandeira vermelha à bandeira brasileira, e o erro dos brasileiros foi o de subestimar a esquerda no poder, confiando ao PT poder e dinheiro. Segundo o próprio PT, eles estão se preparando para a Guerra, guerra contra o povo brasileiro; guerra contra a democracia.
E nós? Nós precisamos trabalhar para arruinar o projeto daqueles que falam sem pudor que querem destruir a democracia brasileira conquistada a tão duras penas.
Assim, o episódio com os senadores brasileiros nos serve de lição para tratarmos com muito mais cuidado os assuntos ideológicos, há muito negligenciados, em nosso país.