A ação predatória da rede de frigoríficos JBS leva os concorrentes a fechar unidades, reduzir abates e demitir pessoal em todo o Estado
A crise que começou no ano passado e se spalhou por vários setores da economia brasileira, neste primeiro semestre de 2015, é um fato incontestável. Os números estão disponíveis para quem quiser analisá-los, seja nos órgãos oficiais, ou nas reportagens veiculadas na imprensa, nestes últimos meses.
No caso da reportagem publicada na edição de ontem do Correio do Estado, a qual trata da ameaça que o monopólio do grupo JBS no abate de carne bovina representa à economia do Estado, o cenário é ainda mais grave, porque este é um dos setores que poderiam ajudar com notícias boas em meio aos corriqueiros relatos negativos das últimas semanas, como o aumento do desemprego, das taxas de juro e do pessimismo para os próximos meses.
Fortemente ligado ao mercado externo, um dos principais itens da balança comercial brasileira, a venda de carne bovina tinha tudo para ajudar a salvar a economia sul-mato-grossense em meio à grave crise econômica instalada no País. Mas a ação predatória da rede de frigoríficos JBS leva a concorrência a fechar unidades, reduzir abates e demitir pessoal, justamente em um cenário de dólar alto, com condições mais favoráveis para exportação.
Conforme a Associação dos Matadouros, Frigoríficos e Distribuidoras de Carne de Mato Grosso do Sul (Assocarnes-MS), somente nos últimos dois anos, foram 14 unidades de abate fechadas, ação que provocou o encerramento de seis mil postos de trabalho, em Campo Grande e em municípios de todas as regiões do Estado. Há, ainda, o risco de fechamento de outras três plantas, segundo a entidade.
Algumas destas unidades chegaram a ser reabertas pelo grupo JBS, por meio de arrendamento, o que aumenta a presença do conglomerado, bem como pune pecuaristas e também pequenos e médios empresários que ainda mantêm o abate de bovinos no Estado.
O JBS, uma das maiores companhias do planeta, especializada em produção de proteína animal – com sede no Brasil –, acaba escolhendo o preço que pagará pela carne, por falta de concorrência.
Em casos raros, quando a disputa com outros frigoríficos existe, o grupo conta com a ajuda do governo para ter vantagem no mercado.
Para equilibrar este jogo na indústria da carne, uma das principais de Mato Grosso do Sul, é necessário que o governo federal entre em campo urgentemente, a fim de oferecer regras mais justas para uma livre concorrência no setor.
Tudo que os pequenos e médios frigoríficos querem são os mesmos incentivos e facilidades governamentais para investir de que dispõe o grupo JBS.
Se os pequenos e médios empresários do setor da carne contassem com as mesmas facilidades de financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que tem a multinacional, com sede no Brasil, o cenário seria diferente.
Também é preciso inteligência por parte da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, para aproveitar as oportunidades que a situação econômica externa oferece ao País, equilibrando a balança comercial, trazendo divisas para nosso território e gerando empregos em nosso Estado.