A América Latina é, historicamente, uma área de influência dos Estados Unidos; mas, recentemente, a China tem avançado de forma agressiva sobre essa área, por meio de vários acordos com países da região, como, também, da América Central, África do Sul e Leste Europeu.
O premiê Chinês Li Kiang, em sua última visita ao Brasil, após reunião com a presidente Dilma Rousseff, assinou 37 acordos com o país para investimentos em diversos setores.
O investimento – cerca de US$ 53 bilhões (R$ 160 bilhões) – proposto pela China engloba áreas e setores como agricultura e pecuária, Petrobras, infraestrutura, transportes, energia, relações exteriores, comércio exterior, comunicações, meio ambiente, ciência e tecnologia, esporte e planejamento. Acredita-se que os acordos terão maior efeito nas áreas de infraestrutura e agronegócio.
Os principais objetivos da China são a importação de commodities e investimentos em infraestrutura, o que facilitaria a exportação brasileira. Um dos investimentos seria a construção de uma rodovia para ligar o Atlântico ao Pacífico, passando pelo Peru.
Apesar das vantagens obtidas pelos acordos, traduzidas em reforço para sanar a crise econômica brasileira, os efeitos futuros não seriam tão vantajosos ao país, já que existe o risco de haver uma dependência econômica: os produtos importados da China teriam maior valor agregado do que as commodities nacionais. Há, portanto, a necessidade de avaliar seus pontos positivos e negativos, ressaltando o que seria realmente viável ao País, não somente no curto prazo, em virtude da crise econômica, mas também seus efeitos posteriores. Um destes efeitos seria o impacto ambiental e confrontos com indígenas e ambientalistas na Amazônia, já que a construção da rodovia mencionada acima ocuparia áreas desta região. Há, também, o risco de variações dos preços das commodities, que podem chegar a valores baixos e causar, então, desequilíbrio nas vantagens/desvantagens entre Brasil e China.
Havendo gestão eficiente do governo brasileiro, o alto investimento chinês em infraestrutura no Brasil (e em outros países da América Latina e América Central) é de reconhecida importância, beneficiando o País em uma de suas maiores deficiências, que provoca empecilhos ao desenvolvimento econômico. Tem de haver, também, preocupação com a mão de obra especializada, outra deficiência brasileira, o que influenciaria a China a trazer trabalhadores chineses para execução das obras, o que já acontece em diversas áreas, já que a atual crise econômica tem levado o governo a cortar gastos com setores ligados ao desenvolvimento dos transportes, como o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e a educação, setores subdesenvolvidos no País, causando debilidades ainda maiores.
Adicionalmente, deve-se ressaltar as mudanças na globalização em relação à economia e geopolítica e seus impactos profundos no País. Na saída da recessão econômica, seria vantajoso priorizar, futuramente, o aprimoramento de infraestrutura, incentivando o desenvolvimento e buscando, também, equilíbrio com os demais setores e áreas de grande importância no desenvolvimento social e econômico brasileiro, como o desenvolvimento cultural e educacional, para que todos os brasileiros aprendam a pensar no longo prazo.