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Rapphael Curvo: "A Lei de Gerson"

Jornalista e advogado.

Redação

25/06/2015 - 00h00

Entrevistado pela jornalista Luísa Oliveira, do Portal PUC-RIO, cujas perguntas tiveram foco nos aspectos do comportamento social, falamos sobre a influência da “Lei de Gérson” na sociedade brasileira. É uma norma não escrita adotada pela imensa maioria da população que exerce forte fascínio como método para se obter sucesso pessoal e status social. As razões estão fundamentadas na questão da Educação que é o ponto de partida para todos os acertos ou desacertos de vida em sociedade, em comunidade. Em uma sociedade com estrutura sólida em Educação e Cultura, dificilmente ela terá outro resultado que não o de desenvolvimento qualitativo e econômico, ou seja, em termos de vida e de convivência social e obediência às normas que a regem. 

Existe, nesses grupos sociais de estrutura sólida e que formam várias Nações, o culto ao respeito, a ética, a moral e a observação das regras que organizam a sua vida. Ela, sociedade, beira a perfeição, não a atingindo porque sempre haverá exceções, mas em grau de menores consequências ao bem viver comunitário. Alguns países desse grupo sofrem, em geral, impactos dados as condicionantes de sua atração migratória o que provoca enfrentamentos de culturas. Outros países de perfil mais originário de sua população, a introdução de comportamento com base na “Lei de Gérson”, no seu cotidiano, é tarefa impossível de se fazer valer. 

A “Lei de Gerson” só impera em uma sociedade mal formada educacional, cultural e até mesmo economicamente. É onde nos incluímos. Em razão da lástima que é o nosso sistema educacional, acompanhado da área da Cultura, e os resultados das avaliações internas e externas provam isso, estamos longe de exercer obediência a boa conduta e regras que, supostamente, vigoram em nossa sociedade dando prevalência a “lei das vantagens” em tudo. Pouco efeito terá uma norma vigente, seja legal ou social, se não há uma Nação constituída para entendê-la. Isto em não acontecendo, passa a ter como valor de regra princípios que se formam no cotidiano das relações das pessoas que buscam por alternativas, no campo da informalidade, de se valer e superar expectativas no meio em que vivem. 

Para estas pessoas de pouco ou quase nenhum desenvolvimento educacional e cultural, a regra legal e social culta não permite a elas acesso e muito menos escalada nos degraus do sucesso pessoal. Aí nasce a “Lei de Gérson” como atalho a essa barreira. Disseminada em todos os escalões da vida brasileira, esta “Lei” tem influenciado, pelo lado negativo, a comunidade. Corrompe toda a estrutura social, política e de governo do Brasil que, com seu comportamento, irradia péssimos exemplos a novas gerações, as quais tem sua personalidade formada, motivada pela influência da comunicação que tem superado a educação familiar, nessa relação social desvirtuada em que levar vantagem é a regra na superação do próximo.  

A motivação contida no cerne da “Lei de Gérson”, ter para ser, provoca a aceitação, com maior benevolência, dos malfeitos praticados em todas as escalas da sociedade. Assim, pequenos detalhes como parar em lugar proibido, jogar lixo na calçada, procurar adulterar contas, levar cola em exames e por aí vai, são pequenos sintomas que deságuam em grandes ações calcadas na “Lei de Gérson” como os atos ocorridos na Petrobras. Foram praticados por pessoas de boa formação profissional que deveriam observar as normas de boa conduta, mas que envolvidas pela concepção geral, em seu ego, do ter para ser como procedimento de subjugar o próximo, agiram de forma deliberada como se a norma legal vigente fosse mero detalhe. Isto aconteceu e ainda acontece em vários escalões profissionais, políticos e empresariais tendo como regra a “Lei de Gérson”. É só observar.

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