A economia desaquecida no Brasil, certamente resulta em comércio enfraquecido também do lado paraguaio, que já desemprega
A crise econômica brasileira ultrapassa fronteiras e já leva mercados de países vizinhos, como por exemplo o do Paraguai, a sentir duramente os efeitos da queda da renda, consumo, e aumento do desemprego do lado de cá. Isto porque a economia desaquecida no Brasil, certamente resulta em um comércio fraco no país vizinho, e também nas mesmas consequências também do lado de lá: demissões, pessimismo e renda menor.
Em Pedro Juan Caballero, cidade separada de Ponta Porã por apenas uma avenida, o comércio local acusou o golpe, e tem demonstrado dificuldade para se recuperar. Desde o início do ano, as lojas da cidade paraguaia fecharam 2 mil postos de trabalho, boa parte deles ocupados por brasileiros. Conforme reportagem divulgada ontem pelo Correio do Estado, 90% destes funcionários demitidos tem encontrado dificuldade para voltarem ao mercado, e continuam desempregados desde fevereiro deste ano.
Como se não bastasse a queda da renda e a consequente redução no consumo das famílias brasileiras, o comércio paraguaio é atingido por outro fator, que neste tempo de vacas magras representa mais uma desvantagem: a cotação do dólar. A valorização da moeda norte-americana desde janeiro último, que ultrapassou a casa dos R$ 3, afasta os turistas das lojas das cidades de fronteira com Mato Grosso do Sul, como Pedro Juan Caballero, Salto del Guayrá e Bela Vista.
Depois da alta do dólar frente ao real, muitos dos produtos que anteriormente eram mais baratos no Paraguai, agora têm condições de compra mais vantajosas nas lojas nacionais: além do preço mais baixo para alguns produtos, condições mais simplificadas, como por exemplo, o parcelamento do pagamento.
Este difícil cenário composto pela desastrosa política econômica do governo brasileiro da presidente Dilma Rousseff provocou o fechamento de 100 lojas em Pedro Juan Caballero, e não há perspectivas no curto prazo da reabertura destas unidades.
A crise também mostra sua face na fronteira com outros países, como a Bolívia. A queda no consumo, a julgar pelos relatos da região de Corumbá, também faz vítimas nas vizinhas Porto Quijarro e Porto Suarez.
Os brasileiros, que vivem as dificuldades da crise no cotidiano, não estão sozinhos no enfrentamento dos efeitos deste período econômico ruim. Setores de quase todos os países sul-americanos dependentes da boa saúde da economia brasileira também estão sendo fortemente afetados.
Em analogia sobre o momento atual da econômica da América do Sul, o Brasil se compara a um grande navio, e o efeito das ondas formadas por esta embarcação de grande porte, pode fazer com que os pequenos barcos que navegam ao seu redor - os países vizinhos, menores - passem por severas dificuldades.
Por ser grande, no entanto, o Brasil certamente irá superar esta crise, como já superou muitas outras. O que esperamos é que a tempestade que estamos passando passe rápido e que nós, e nossos vizinhos, voltemos a navegar por águas tranquilas.