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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta terça-feira: Desemprego no comércio

Editorial desta terça-feira: Desemprego no comércio

Redação

30/06/2015 - 00h00

O número recorde de fechamento de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul nos primeiros cinco meses do ano é sinal de que algo ainda pior está por vir

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) não poderiam ser mais alarmantes. O número recorde de fechamento de vagas de trabalho em Campo Grande e em todo Estado de Mato Grosso do Sul nos primeiros cinco meses deste ano é certamente um mau sinal, de que algo ainda pior está por vir.

Quando a crise econômica chega fortemente ao comércio, no caso, o setor terciário, que está na ponta da cadeia, é sinal que os outros setores da economia: primário (agronegócio e extrativismo) e segundário (industrial) já estão gravementre afetados pelo desaquecimento dos mercados.

Os números do Caged, divulgados na semana passada pelo Ministério do Trabalho demonstram que o comércio fechou o período com 31.313 vagas abertas, e com outras 32.364 fechadas pelos empregadores, um saldo negativo de 1.051. Só em Campo Grande, cidade cujo setor comercial e de serviços responde por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, o saldo foi de 705 postos a menos, uma quantidade 14,6% inferior à do ano passado, conforme publicado na edição de ontem do Correio do Estado.

O cenário de desemprego no comércio de Mato Grosso do Sul é o pior da série histórica do Caged, que teve início em 2003. Somente em dois anos a geração de postos de trabalho foi negativa. Em 2006, foram 787 vagas a menos no Estado em relação ao ano anterior, e em 2009, nos meses seguintes à bolha imobiliária dos Estados Unidos, que estourou no fim de 2008.
Como o comércio sul-mato-grossense é a vítima mais recente da crise, também deve ser o último setor da economia local a se levantar. A alta na cotação do dólar, dá indícios de uma leve recuperação, puxada pelo aumento das exportações de produtos primários, como soja e milho, e secundários, como a carne industrializada.  A expectativa é que os recursos extras que entrarem por estes setores, cheguem rapidamente  às lojas, supermercados e prestadores de serviço.

Não há previsão para que este cenário de retomada de ganhos no comércio, contudo, torne-se realidade. Ao menos no curto e médio prazo.

Em primeiro lugar, porque as medidas tomadas recentemente pelo governo federal, para aumentar a receita com a cobrança de impostos e contribuições previdenciárias, punem a classe empresarial, que é justamente a responsável pela abertura de vagas de trabalho.

A combinação queda nas vendas, mais impostos mais altos, é fatal para o mercado de trabalho, e geradora de ainda mais demissões. O efeito é cascata, com mais desemprego, menos vendas no comércio.

O que se espera do governo da presidente Dilma Rousseff é que ela corrija, rapidamente, a desastrosa política econômica, para evitar que os efeitos da crise sejam ainda mais nocivos. O grande desafio, porém, é que o estoque de medidas anticíclicas chegou ao fim, e só a retomada de investimentos por parte do setor privado, que depende de muita confiança nos governantes, é que reaquecerá o mercado. Não parece que isto ocorrerá tão cedo. 

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