A falha na condução do cuidado dos peixes é caso de negligência e o secretário Jaime Verruck poderia responder pela mortandade.
A morte dos peixes no Aquário do Pantanal é capítulo a parte da novela que tornou-se a entrega da obra atualmente orçada em R$ 300 milhões. Muitos deles morreram, segundo relatório da Anambi Análise Ambiental, de frio, entre os meses de novembro de 2014 a maio deste ano. O Correio do Estado apurou que falou alimentação. Até agora, o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, não se pronunciou oficialmente sobre o caso e a discussão fica apenas no jogo de empurra-empurra de responsabilidade.
Ontem, comissão formada por deputados estaduais esteve no galpão da Polícia Militar Ambiental e vistoriou as condições dos peixes que restaram. A responsabilidade pelos animais está, agora, sob a égide do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão subordinado a Semade. Em nota divulgada esta semana, o governo estadual limitou-se apenas a informar a rescisão do contrato com a Anambi e não informou qual seria a causa da morte de milhares de peixes. Desde junho, quando o próprio governador Reinaldo Azambuja relatou que “já morreram alguns peixes”, o que se vê é contradição e falta de transparência. No ano passado, a informação é que foram comprados 12 mil peixes e pouco mais de dois mil haviam sobrevivido ao frio; o número foi alterado pela própria empresa, que diz que foram adquiridos aproximadamente 20 mil e pouco mais de 13 mil ainda persistem. O que o Correio do Estado apurou, no entando, é que o número nunca passou de 5 mil peixes e restam cerca de 2,5 mil.
Por várias vezes, o secretário Jaime Veruck foi procurado para esclarecer o que aconteceu com os peixes e o motivo da discrepância do que foi relatado e do que é realidade, mas, nada foi repassado. A falha na condução do cuidado dos peixes é caso de negligência e o secretário poderia responder pela mortandade. A divulgação transparente não é meramente ilustrativa ou instrumento de cunho político, mas, sim, obrigação do poder público, prevista na legislação. O secretário trata o assunto com descaso ao não se reportar à população.
Os gastos ainda vão continuar. O contrato entre Anambi e o governo estadual foi orçado em
R$ 5,2 milhões. A empresa teria recebido cerca de R$ 3 milhões. O Imasul estuda comprar aquecedores para garantir a sobrevivência dos que restaram, ou seja, desembolso que poderia ter sido evitado se a manutenção tivesse sido feita de maneira eficiente e, ainda, fiscalizada para evitar o que aconteceu.
O Aquário, aparentemente, é fonte inesgotável de entraves. Os deputados que integram a comissão criada para fiscalizar o andamento das obras do Aquário do Pantanal querem pedir documentos à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect) para averiguar o contrato que tratou da aquisição e manutenção dos peixes e, ainda, dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre os recursos empregados na obra. A data de inauguração foi alterada várias vezes. A previsão atual é que o empreendimento esteja pronto em setembro deste ano, mas a abertura ao público só deve ser possível em 2016, depois da instalação de material de acabamento e obras de ornamentação. O orçamento inicial, em 2009, era de R$ 84,7 milhões, mas já se sabe que o valor será quase quatro vezes maior do que o calculado. O imbróglio está longe de acabar.