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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quinta-feira: ''Desemprego e dívidas''

Editorial desta quinta-feira: ''Desemprego e dívidas''

Redação

02/07/2015 - 00h00

O que impressiona é o expressivo aumento do número de dívidas contraídas pela população, clara evidência das consequências da retração econômica no Brasil

O início do mês é o período mais esperado pelos trabalhadores brasileiros, que aguardam ansiosamente pelo pagamento dos salários. É cada vez mais recorrente ser alegria momentânea, diluída na drástica redução de poder de consumo ou, pior, na incapacidade de quitar contas, mesmo as mais básicas. Se, para quem ainda tem renda, o arrocho econômico representa contenção de despesas, o que dirá o desempregado, que não tem escolha a não ser engrossar a já extensa lista de nomes negativados em Mato Grosso do Sul. O que impressiona é o expressivo aumento do número de dívidas contraídas pela população, clara evidência das consequências da retração econômica no Brasil.

Os dados fazem parte de levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC). O número de clientes inadimplentes no comércio de Campo Grande, até maio deste ano, chegou a 138,4 mil pessoas, crescimento de 105,56% em relação a igual período do ano passado, quando foram calculados 67,3 mil inadimplentes. O valor devido foi de R$ 66,468 milhões para R$ 117,2 milhões, variação de 76,35%. Mas o que teve alta extremamente preocupante foi o total de dívidas, incremento de 229,18%. As dívidas aumentaram, o que não representa maior valor devido, ao contrário: a população teve poder de compra reduzido e não consegue quitar prestações menores.

Estas parcelas, aliás, foram por muito tempo o grande atrativo da economia brasileira. No crediário e no cartão de crédito, o brasileiro conseguiu fazer compras, mas, hoje, a corda estendida durante tanto tempo começou a arrebentar e as consequências estão aí. O ilusório poder de consumo arrefeceu diante dos equívocos da gestão econômica do PT. 

A análise é que o volume de dívidas, mesmo as de menor valor, teve o crescimento desencadeado pelo índice de desempregados em Mato Grosso do Sul. Até maio, a Capital teve saldo de 504 postos de trabalho, 121% menor do que o registrado em 2014, com 2,3 mil empregos com carteira assinada. Comércio, indústria de transformação e agropecuária foram os setores que tiveram maior participação neste resultado. 

A escalada da inflação e a alta dos preços de serviços básicos têm colocado o consumidor em cenário complicado e de difícil solução em curto prazo. No último levantamento nacional, feito em abril, o SPC Brasil e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) constataram que quatro entre dez brasileiros estavam inadimplentes, contingente de 55,3 milhões de pessoas. O que é tangível é que o governo federal ainda não achou foco de ação e, patinando, arrasta a economia do País cada vez mais para o fundo do poço. O aumento do poder de consumo do brasileiro foi poder de fogo usado em discursos, durante muitos anos, pelo ex-presidente Lula e, mais recentemente, pela sua sucessora, Dilma Rousseff. Está cada vez mais evidente que não há como a gestão petista se sustentar neste pilar, porventura mais frágil. 

O empresário tende a evitar a última cartada de corte de gastos – as demissões – por conta dos altos custos que a manobra exige. O índice de desempregados no Estado mostra que a estratégia já está sendo adotada há algum tempo e ainda será alternativa do mercado. Aos trabalhadores, resta a tentativa de planejar e equilibrar gastos e receita, pois a tendência é piorar. O que sobrar da dívida, coloquem na conta do PT.

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