Alta no custo da cesta básica indica que o trabalhador seguirá espremido entre a obrigação de pagar dívidas, alimentar-se e realizar outras despesas
O aumento acumulado de 14,5% no valor da cesta básica, divulgado na edição de ontem do Correio do Estado, é um demonstrativo de que, infelizmente, a crise econômica atual demorará a ir embora.
Os dados indicam que o trabalhador brasileiro seguirá espremido entre a obrigação de pagar dívidas, alimentar-se e realizar despesas com educação, saúde e lazer. Os gastos com produtos considerados supérfluos, que geram grande movimentação no mercado, são os primeiros a serem cortados.
Conforme as informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade), quem fez uma compra em Campo Grande, com os alimentos básicos para uma família, gastou R$ 44,66 a mais em relação ao preço constatado em janeiro deste ano.
Quantia extremamente considerável e que pesa justamente no bolso dos mais pobres, a classe que o Partido dos Trabalhadores fala que protege e auxilia.
A carne bovina, o feijão, a alface, a banana e o tomate são os itens que tiveram as maiores altas nos preços, desde o início do ano. No caso da carne, a variação no preço chegou a 28%, e da alface, a 11,9%.
Os números obtidos pela Semade são claros: quanto menor a renda do trabalhador, mais ele sofre com a inflação, que não para de crescer neste ano. O custo da cesta básica (R$ 351,20) compromete nada menos que 44,57% do rendimento de uma pessoa que ganha salário mínimo.
Ou seja, para este trabalhador, restará pouco mais de metade do salário para outras despesas, como educação, transporte, lazer, e para pagar suas dívidas.
Aliás, as classes mais baixas da população são as que mais sofrem com os juros altos e as dívidas contraídas nos últimos anos, pela enxurrada de crédito fácil nos bancos e nas financeiras. A concessão de empréstimos quase sem critérios, nos últimos oito anos, ajudou a resultar na retração do crédito, na baixa liquidez da economia, no aumento de juros e taxas e em um mercado desaquecido. Chegou a hora de pagar as contas e, com impostos mais altos e dívidas acumuladas, fica mais difícil consumir.
Para repor perdas com o pagamento de impostos, com o pagamento de financiamentos e com pessoal, os produtores, atacadistas e comerciantes repassam este peso ao consumidor, que arca com o custo mais elevado dos itens da cesta básica.
Diante do cenário caótico atual, que foi desenhado nos últimos anos do Partido dos Trabalhadores, a presidente Dilma Rousseff falha ao não implantar ações para reaquecer a economia, voltar a gerar consumo, renda e, consequentemente, mais empregos e melhores salários. Ao contrário, agrava ainda mais a crise, elevando a carga tributária e revogando muitos dos incentivos concedidos ao longo dos últimos anos.
Os empresários dos setores industrial e comercial estão com o pé no freio, diante do cenário político e econômico incerto. E, quando não há investimento, há menos dinheiro circulando no mercado; o efeito negativo é em cascata, até chegar ao bolso do trabalhador, o mais penalizado.