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Antônio Carlos Nardi: "Cinto de segurança: simples e eficaz"

Secretário de vigilância do Ministério da Saúde

Redação

05/07/2015 - 00h00
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Os acidentes de trânsito são a causa mais frequente de morte de jovens entre 15 e 29 anos em todo o mundo. O dado da Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta também para uma estimativa preocupante: sem uma ação mundial, os acidentes irão ceifar 1,9 milhão de vidas anualmente, em todo o planeta, até 2020. Nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, a maior proporção das mortes no trânsito ocorre entre os ocupantes de automóveis (42%). 

Na última semana, a morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo trouxe à tona a discussão sobre um importante instrumento de prevenção: o uso do cinto de segurança. O músico faz parte do grupo mais afetado, os jovens homens, quando o assunto são as mortes no trânsito. A tragédia poderia ter sido evitada – ou ao menos minimizada – se o cantor e sua namorada estivessem usando esse simples e eficaz item de proteção.

O uso de cinto de segurança, tanto no banco da frente como no banco de trás, requer uma atenção especial dentro do tema da segurança no trânsito. De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, o uso no banco da frente reduz em 45% o risco de morte, e no banco de trás em 75%.

Com a obrigatoriedade de uso do cinto desde 1997, o Brasil é um dos 111 países do mundo, segundo a OMS, cuja população está coberta por uma legislação rigorosa neste quesito. São 4,8 bilhões de pessoas no planeta na mesma situação.

No entanto, a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, revela que a prática de uso do cinto de segurança no Brasil ainda demanda iniciativas massivas de conscientização e fiscalização: apenas metade da população (50,2%) faz uso nos bancos traseiros de carros, vans ou táxis. No banco da frente, beira os 80% - uma proporção que, se é muito melhor, por outro lado aponta para a exigência de empenho para que alcancemos o patamar ideal de 100% do uso nos bancos dianteiros e traseiros dos veículos pela população do país.

No Brasil, 42,2 mil pessoas morreram por conta de acidentes de trânsito em 2013. No mesmo ano, um levantamento da Rede Sarah apontou que 80% dos passageiros do banco da frente deixariam de morrer se os cintos do banco de trás fossem usados com regularidade.

Ademais da tragédia que é a perda de uma vida, as sequelas, prejuízos econômicos e limitações pessoais e laborais decorrentes formam o outro lado indesejável da moeda. Dos pacientes em tratamento na Rede Sarah – uma referência em reabilitação de pessoas com sequelas físicas -, a maior parte, 38%, são muito jovens: têm entre 20 e 29 anos.

A escala de sofrimento humano, combinada com custos globais econômicos estimados em US$ 1,8 trilhão anuais, tornam a redução das mortes e das lesões provocadas por acidentes de trânsito uma prioridade urgente para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O uso do cinto de segurança será um dos temas debatidos na “2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito – Tempo de Resultados”, evento que prevê reunir 1,5 mil participantes de cerca de 150 países-membros da ONU, em Brasília, em novembro. No encontro, serão revisados os progressos feitos pelos países na implantação do Plano Global para a Década de Ação para a Segurança no Trânsito 2011-2020 e avaliado o andamento das iniciativas para redução das mortes e lesões ocorridas no trânsito em todo o mundo.  

A conferência abordará o tema da segurança de forma intersetorial - envolvendo outros órgãos dos governos Federal, estaduais e municipais; sociedade civil, setor privado e a população - para promoção de uma política específica de prevenção aos acidentes. O Brasil, que se voluntariou para sediar o evento, certamente terá algo a ensinar aos países participantes. E seguramente também bastante a aprender.

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