Com a Caravana da Saúde o governo do Estado dá um bom exemplo de como enfrentar a falta de atendimento médico: reclamando menos e agindo mais
Os resultados satisfatórios obtidos pela Caravana da Saúde em Mato Grosso do Sul até agora só demonstram que para resolver o problema das longas filas por cirurgias e a interminável espera por diagnósticos, consultas e outros tipos de atendimento basta nada menos que mais ação e iniciativa e menos debates e expectativas
Mesmo enfrentando a queda de arrecadação por causa da crise econômica, o governador Reinaldo Azambuja tem reclamado pouco sobre saúde e agido mais para cumprir sua promessa de campanha, de realizar um mutirão em todo o Estado. Reportagem publicada na edição de ontem do Correio do Estado mostra que desde 29 de março, quando o projeto do governo do Estado teve início, nada menos que 7,4 mil pessoas foram contempladas com a cirurgia da catarata, reduzindo a fila de de 14 mil pessoas pela metade.
O número é expressivo. As 7,4 mil pessoas atendidas até agora, em pouco mais de três meses, representam mais que todos os hospitais do Estado operaram nos últimos quatro anos: 6,4 mil atendimentos para correção do problema oftalmológico. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde.
Até agora a Caravana da Saúde já passou por quatro cidades: Coxim, Ponta Porã, Três Lagoas e Paranaíba. Foram realizados, ao todo, 108.808 procedimentos. O total de cirurgias hospitalares eletivas - onde a catarata não está incluída - também merece destaque: 835 intervenções até agora.
Em Paranaíba, onde nossa equipe acompanhou de perto os atendimentos neste fim de semana, a satisfação dos pacientes e seus familiares era visível. Algumas pessoas estavam há anos na fila de espera, e agora, voltaram a enxergar.
Além de resolver o problema dos cidadãos e lhes devolver o bem estar, a Caravana da Saúde também recebe elogios de outros setores. O comércio dos municípios que recebe o projeto agradece. Em Paranaíba, por exemplo, não havia mais leitos disponíveis nos 12 hotéis da cidade para este fim de semana. A justificativa era a demanda por atendimento também de municípios da região.
A estrutura da Caravana da Saúde também ajuda a movimentar a economia das cidades por onde passa. São 720 pessoas envolvidas na organização do evento.
O sucesso deste projeto do governo de Mato Grosso do Sul é a prova de que, quando o assunto é saúde, há de se agir mais e discursar menos. O que está acontecendo no interior do Estado, nas cidades por onde a Caravana tem levado serviços, é o contrário do que tem ocorrido em grandes cidades, como Campo Grande, onde hospitais, municípios e governo federal se envolvem em uma disputa sem fim por recursos milionários.
Quem mais sofres com esta briga pelos recursos da saúde é justamente o destinatário da verba: o cidadão que depende dos serviços público; o trabalhador que passa as madrugadas nas unidades de pronto atendimento a espera de uma simples consulta; e a mãe de família, que espera meses por um nada complicado exame de sangue de seu filho.