Estudo recentemente publicado pela fundação americana “The Social Progress Imperative”, edição 2015, revela que numa lista de 133 países, o Brasil – ainda considerado a 7ª maior economia do Planeta (com a Índia em seu calcanhar!) – está em 42º lugar em relação a avanços sociais, junto com outros países emergentes que fazem parte dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul).
Isto significa aquilo que todo mundo em tese já desconfiava: um alto Produto Interno Bruto (PIB) não quer dizer boa qualidade de vida da população do País, sobretudo no que diz respeito às condições sociais e ao que se poderia chamar de “Felicidade Interna Bruta” (FIB).
Nesse sentido, basta citar o exemplo dos EUA – eles próprios a maior economia do mundo e na 16ª posição no ranking de desenvolvimento social. E Portugal ficou em 18º. Por outro lado, a Nova Zelândia alcançou nível de progresso social similar ao da Noruega, embora seu PIB per capita seja bem inferior ao do país escandinavo.
Mas para comprovar essa verdade e ir além de questões puramente econômicas, a fundação americana criou o Índice de Progresso Social (IPS), que revela a capacidade de determinado país em atender as necessidades básicas de sua população em três principais dimensões: necessidades básicas, bem-estar e oportunidades. E foram então atribuídas pontuações de 0 a 100 para cada um desses itens. Quanto mais alta é a nota, melhor é a nação naquele aspecto.
O resultado desse estudo naquilo que nos interessa mais diretamente é que: Dos países da América Latina, os mais bem colocados no ranking de IPS, foram: Uruguai, na 24ª posição e Chile que está em 26º. O Brasil ficou na 42ª posição, à frente de México e Rússia, mas atrás de Argentina e Emirados Árabes. Os dez primeiros colocados, foram: Noruega, Suécia, Suíça, Islândia, Nova Zelândia, Canadá, Finlândia, Dinamarca e Austrália, com índices de IPS que variaram de 88,36 em 100 pontos, no caso da Noruega (1º), a 86,42 no caso da Austrália (10º). O Brasil (42º) ficou com IPS de 70,89.
Evidente que os resultados apontados pelo estudo da fundação americana no que se refere aos índices sociais (IPS) não são nada favoráveis ao Brasil, mesmo considerando que no ano passado (2014) esse índice nos deixou na 46ª posição no ranking entre as nações e, portanto, avançamos duas posições na sua tabela. Mas é importante fazer algumas ressalvas.
É preciso, por exemplo, considerar o grau de desenvolvimento de um determinado país também pela sua extensão territorial e a sua pluralidade cultural. Não se pode considerar, por exemplo, o IPS de um país com a imensidão territorial e a diversidade climática e cultural do Brasil – a Amazônia e algumas de suas tribos indígenas ainda em processo de contato – com o Uruguai, Emirados Árabes Unidos, ou até mesmo da Suíça, esta última com os cofres cheios de dinheiro vindo do mundo todo – inclusive da operação Lava Jato!
Mas o estudo do IPS 2015 realizado pela fundação americana nos diversos países do mundo é superimportante ao alertar dirigentes de nações – especialmente daquelas em desenvolvimento – de que é preciso avançar ainda mais na repartição do bolo da riqueza representado pelo Produto Interno Bruto (PIB). No caso do Brasil, isso se torna um imperativo ainda mais premente e necessário.