O que Dilma Rousseff precisa ver nestes episódios é que o brasileiro está chegando ao limite da paciência. A situação está beirando o insustentável e a reprovação de 68% dos cidadãos mostra que não há muitas alternativas para a gestão petista
O crescente descontentamento da população está evidente e não há como fingir que está tudo bem no País das Maravilhas pintado pela presidente da República, Dilma Rousseff. Mesmo quando fala sobre os números do aumento do desemprego e a fuga de investimentos, a presidente trata como se fosse uma suave brisa de uma intempérie que logo vai passar. O descompasso entre a realidade e o discurso petista foi traduzido na recente pesquisa de avaliação do governo federal, em que apenas 9% da população ainda crê em Dilma. Do total questionado na terceira semana de junho, 68% consideram a gestão ruim ou péssima. No levantamento feito anteriormente, entre os dias 13 e 15 do mês passado, eram 33%.
A rejeição galopante consegue ser pior do que os índices alcançados pelo ex-presidente Fernando Collor de Melo, que o povo brasileiro em peso pediu o impeachment. Naquele período, em 1992, relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional apurou que US$ 6,5 milhões foram transferidos irregularmente para financiar gastos do presidente. Empréstimos fraudulentos financiaram a campanha de 1989 e dinheiro das contas fantasmas operadas por Paulo César Farias foi usado para reforma da Casa da Dinda, moradia do presidente. Collor pediu o apoio da população, mas, ao contrário, acabou provocando o levante eternizado pelos caras-pintadas.
Passados 23 anos, mudaram os personagens e o modus operandi, mas a corrupção está mais presente do que nunca. Fernando Collor, hoje senador, é um dos citados como beneficiários do esquema que envolve a empreiteira UTC, de Ricardo Pessoa. Mas a figura emblemática da fraude é a estrela vermelha do Partido dos Trabalhadores. Integrantes do mais alto escalão estão envolvidos até o pescoço nos contratos irregulares da Petrobras com as empresas. Os nomes fortes – Lula e Dilma – ainda estão blindados, mas não está longe o momento em que as irregularidades vão arrastar os dois para o fundo do poço.
O descrédito do partido e do governo é tão grande que imagens e entrevistas da presidente são usadas em piadas e material de escárnio, alguns de humor duvidoso e questionável, mas traduzem a insatisfação popular. O que Dilma Rousseff precisa ver nestes episódios é que o brasileiro está chegando ao limite da paciência. A situação está beirando o insustentável e a reprovação de 68% dos cidadãos mostra que não há muitas alternativas para a gestão petista. A cada anúncio de aumento de taxas e cortes de investimentos, este limiar é testado e as consequências para o bolso do trabalhador mais presentes.
O brasileiro está sedento de mudanças. O próximo presidente da República terá nos ombros a difícil missão de passar pelo crivo de aprovação de milhões de brasileiros que acompanharão com muito mais afinco as ações da gestão. Hoje, o sentimento é de descrença total e é preciso que haja compreensão de que o desgaste do governo federal ainda estará presente por muito tempo e será tarefa árdua a reconstrução da imagem política da gestão pública. O novo governante também terá pela frente o trabalho hercúleo de lidar com a herança que ganhará: a crise econômica criada pela equivocada gestão petista. Os efeitos da recessão ainda vão se perpetuar por longo tempo e, infelizmente, ainda não chegaram ao seu pior momento.