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ARTIGO

Márcio Monteiro: "Sem dever de casa, economia despenca"

Secretário de Estado de Fazenda

Redação

07/07/2015 - 00h00
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Neste fim do mês de junho, a crise econômica derrubou bolsas de valores em todo o mundo por conta da instabilidade na Grécia.  O País não conseguiu honrar  a dívida e foi o primeiro  do primeiro mundo a dar o calote no Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa crise pode causar uma desvalorização no euro, moeda europeia. 

A crise que assola o Brasil – independentemente  da crise mundial – foi anunciada há muito tempo, ou seja, não se pode dizer que atingiu a população de surpresa.  Os primeiros indícios vieram à tona ainda em 2013, quando, na tentativa de segurar o preço da gasolina e da energia, sem cortar gastos públicos, a economia ficou represada envolta de densa maquiagem. Não por muito tempo, contudo. 

Com juros cada vez mais altos, sem planejamento e/ou novos investimentos, a economia brasileira começou a desacelerar. O desemprego está com índices cada vez mais altos e vários setores têm contribuído para essa derrocada.

Em Mato Grosso do Sul, não é diferente. Podemos usar como exemplo a arrecadação comparada por segmento em 2015. No comércio e na indústria, a queda chegou a 9,35%, com as  máquinas e equipamentos em geral foi a 18,66% e, na construção civil, o índice atingiu os 65,52%. 

Para enfrentar essa crise, o governo de Mato Grosso do Sul lançou, entre outras medidas, o  projeto que baixa a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do óleo diesel de 17% para 12%.  O objetivo é retomar investimentos no Estado, beneficiando diretamente a sociedade, haja vista que a grande maioria do comércio utiliza o transporte rodoviário. Além disso, a proposta é estimular o setor produtivo a aumentar sua competitividade, pois o óleo diesel é um dos principais produtos consumidos por todos os setores da economia.

O governo do Estado fará um grande sacrifício tributário, reduzindo em cerca de 30% a arrecadação nominal neste segmento. Mas para que esta proposta seja viabilizada é necessário que os postos de gasolina diminuam o preço nas bombas, o transportador diminua o frete e, assim, em escala ascendente,  a redução chegue ao consumidor final, que terá à sua disposição produtos mais baratos.

Espera-se que, mesmo com perdas de arrecadação no primeiro momento, seja criado um círculo virtuoso em nossa economia em médio e longo prazos, fazendo com que as taxas de consumo reflitam diretamente em  aumento de arrecadação geral, beneficiando ao mesmo tempo a população e fortalecendo o caixa do governo.

Em momentos de crise, temos de ser ousados e criativos. Só que não podemos esquecer que devemos manter o controle das contas, fazendo o dever de casa e mantendo a austeridade para não deixar a economia despencar. A estratégia para reverter o problema deve, com certeza, ser pautada pelo planejamento e adequação de investimentos. Acredito que com a determinação do governador Reinaldo Azambuja e a colaboração de toda a sua equipe vamos superar todas as dificuldades. 

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