O enfrentamento à criminalidade na Vila Progresso requer ações permanentes, e não apenas promoções paliativas, que mais parecem estratégia de marketing
O enfrentamento à criminalidade de Campo Grande e a revitalização de áreas tomadas por moradores de rua requerem ações duradouras, não apenas promoções paliativas, que mais parecem estratégia de marketing.
Reportagem publicada ontem, pelo Correio do Estado, mostrou as faces do problema que existe na Vila Progresso, bairro da Capital que há décadas convive com bocas de fumo, e as ruas repletas de usuários de crack e cocaína, traficantes e profissionais do sexo. Enfim, quase tudo que é característico de um ambiente mais tenso, imprevisível e marginalizado está presente nas ruas do bairro, 24 horas por dia.
Informações obtidas na Promotoria de Justiça Especializada em Direitos Humanos indicam que ao menos 150 pessoas perambulam pela Vila Progresso, todos os dias. A maioria delas mora nas calçadas, em casas abandonadas, ou em terrenos baldios.
A Polícia Militar, quando procurada por nossa equipe, informou que atende somente as ocorrências criminais no bairro e que faz, no máximo, rondas esporádicas. Jogou o problema da criminalidade na região para os órgãos municipais de assistência social.
A Prefeitura de Campo Grande, por sua vez, afirma que as pessoas que circulam pelo bairro em situação de vulnerabilidade são encaminhadas, quando encontradas, ao Centro de Atendimento ao Migrante (Cetremi).
De fato, a região é carente de projetos de amparo aos usuários de drogas e a outras pessoas que vivem à margem da sociedade. Só existem ações paliativas, como um evento realizado anteontem, que cortou cabelos de usuários de drogas, forneceu segunda via de documentos, mas que acabou depois que as tendas foram desmontadas, os servidores públicos voltaram para suas casas, e os marginalizados continuaram nas ruas.
Há uma verba federal de R$ 1,5 milhão disponível para ser aplicada em um Centro Especializado de Assistência Social, justamente para atender moradores de rua e usuários de crack, mas o recurso corre o risco de ser devolvido se a prefeitura não implantar o projeto até o próximo mês de agosto.
Para tirar parte da Vila Progresso da marginalidade, é necessário que as autoridades façam um pouco mais que suas obrigações. Elas devem ir além, e isso não é muito. Em vez de rondas esporádicas, por exemplo, a Polícia Militar poderia fazer rondas constantes. Há, também, experiências satisfatórias de policiamento comunitário, em outras cidades, que poderiam se aplicar à região. Não são projetos caros, e os resultados podem ser eficientes.
Em vez de levar moradores de rua para o Cetremi, a prefeitura poderia melhorar o foco das ações de assistência social. É necessário que o poder público e os moradores ocupem as ruas do bairro. Para que isto ocorra, basta vontade.
Enquanto nada permanente é feito, a população trabalhadora da Vila Progresso, que certamente é maioria no bairro, vê de perto a desvalorização de seus imóveis e convive com medo dos marginalizados que perambulam pelas ruas. Infelizmente, não há uma data para que tudo isto acabe.