Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Artigo de Sibélia Zanon: "Prato do bem"

Jornalista, pós-graduada em Jornalismo Literário

Redação

11/07/2015 - 00h00

Passear por regiões agrícolas faz pensar na semente que se transforma em alimento para manter a vida. A terra, a chuva, o sol e tantos componentes desconhecidos cuidam daquela semente com mãos invisíveis, para que ela gere o fruto. 

Os que entendem do plantio têm, muitas vezes, a sabedoria de prever o tamanho do fruto por meio  do cheiro e da cor do solo. O alimento não é só uma cápsula de saúde e vida, mas um conjunto de memórias afetivas, a mistura de cores e perfumes, o frescor no verão ou a força no inverno. Ele pode alterar o humor, a  composição do sangue, e influencia toda uma rede bem encadeada que nos mantém vivos. 

Uma amiga, feliz em estar de volta ao seu país, falou certa vez: “Há um pedacinho de você que se alimenta de coisas que você não vê. São os cheiros, os tipos de árvores, a cor do sol, que só existem  daquele jeito no lugar onde você nasceu ou passou sua infância”.

Também acontece assim com a alimentação. Nada tem o mesmo gosto daquela comidinha do lugar onde nascemos. Basta fazer uma viagem longa para sentir falta de algum ingrediente. “O corpo terreno está ligado àquela parte da Terra onde nasceu! Intimamente  ligado também com todas as estrelas dessa bem determinada parte e  com todas as irradiações que a ela pertencem”, defende Abdruschin,  em “Na Luz da Verdade”. Além dessas facetas, a escolha que fazemos dos ingredientes  que colocamos no prato implica na formação do país e do universo que escolhemos para viver.

Sonia Hirsch conta no livro “Paixão Emagrece, Amor Engorda”,  que por 10 anos foi vegetariana. Não tinha vontade de comer carne ao  saber que um boi come por 60 famílias e um filé de 240 g é produzido  às custas de grãos que poderiam alimentar 40 pessoas.

 A carne é  apenas um exemplo de alimento envolto em uma rede de grandes  impactos. Construímos um universo com o ato de comer e, no entanto, só temos notícias das consequências. 

Não nos sentimos responsáveis pelas causas. Mal sabemos que somos parte desta realidade, porque ignoramos os processos pelos quais passam os alimentos que chegam ao nosso prato. 

A ignorância, porém, não exclui a responsabilidade. Dentro do universo das opções que fazemos, “podemos ser alimentados ou envenenados com o que recebemos em nós: os livros que lemos, as pessoas às quais nos ligamos, a religião que seguimos ou a comida  que ingerimos”, diz Thomas Moore, no livro “A Emoção de Viver a Cada Dia”.

A terra fértil, as florestas e a própria vida perguntam: com que comida estamos alimentando nosso corpo e nossa alma?

*Jornalista, pós-graduada em Jornalismo Literário, colaboradora do blog www.literaturadograal.blogspot.com.br

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).