Na coluna “Leitor”, da revista Veja, de março de 2014, anotei o seguinte ponto de vista do colaborador Augusto Nunes: “Se a Petrobras fosse um país e calculasse o PIB (Produto Interno Bruto) com base no PRI (Produto do Roubo Interno), não faria feio no ranking do Fundo Monetário Internacional, que rastreia a situação econômica de 187 países. Segundo a Polícia Federal, as fortunas engolidas pelo esquema de corrupção na Petrobras giram em 10 bilhões de dólares. O resultado do saque sem precedentes supera o PIB de 52 países”.
Então, leitor (a), dando prosseguimento a este país de glórias mil, ocupar-se-me-ei em focar três personagens do PT, todos sob investigação por suspeitas de envolvimento no escândalo da Petrobras: Guilherme Estrela, Senador Humberto Costa (PE) e Senadora Gleisi Hoffmann (PR).
Vamos, pois, a uma prévia do sindicalista da CUT e ex-presidente do Diretório do PT de Nova Friburgo (RJ)? Com esse currículo, Lula nomeou-o no mais elevado nível administrativo da estatal, no cargo de diretor de Exploração e Produção. Pois bem, e como era de se esperar, a imprensa meteu a boca no trombone, alertando a Petrobras para os riscos de aparelhamento petista, que favorecia filiação partidária em detrimento da qualificação profissional. Já em 2004, a produção de petróleo caiu em mais de 3%, queda, essa, em nome do gestor Estrela, causando à Petrobras o prejuízo de US$ 5 bilhões de dólares. O presidente da estatal, Eduardo Dutra, nem se abalou.
No governo Lula, a Polícia Federal produziu um quadro nebuloso, por meio da Operação Vampiro, tudo no Ministério da Saúde, gestão do ministro Humberto Costa. Funcionários públicos, lobistas e empresários, no mais elevado sentimento patriótico, formaram uma quadrilha especializada em suborno, desviando da Saúde R$ 2 bilhões. Humberto Costa não foi arrolado.
Num fôlego novo às investigações no Ministério da Saúde, foi deflagrada pela PF a Operação Sanguessuga, cujo envolvimento deu-se com o empresário Luiz Antônio Vedoin, dono da empresa Planam. Pois bem, Vedoin, com a corda no pescoço, era credor do Ministério da Saúde, na quantia de R$ 8 milhões. O que fazer? À evidência, pedir socorro ao ministro Humberto, que o recebeu e, ao mesmo tempo, encaminhou-o para o seu chefe de gabinete, Antônio Alves de Souza, com a promessa de que haveria solução para o seu legítimo crédito. Antônio Alves, ao ouvi-lo, encaminhou Vedoin a José Airton Cirilo, alto paredro do Diretório Nacional do PT. Cirilo tudo resolveu e, assim, a Planam recebeu o seu crédito, em abril/03, porém, deixando de propina para Cirilo R$ 400.00,00, verba essa que foi depositada na C/C de um sobrinho de Cirilo, chamado Raimundo Lacerda.
O esquema montado pela quadrilha deu tão certo, que Cirilo e Vedoin decidiram ampliá-lo. Como? Segundo Vedoin, Cirilo havia combinado com o próprio ministro Humberto Costa a liberação de R$ 30 milhões de recursos extraorçamentários, que seriam destinados à aquisição de equipamentos hospitalares para os municípios do interior do Estado. Nessa operação, a Planam levaria 15%, levando em conta as fraudes nas licitações praticadas com a ajuda dos prefeitos. Segundo a PF, esse esquema movimentou mais de R$ 100 milhões, tanto que o chefe da máfia dos Sanguessugas, Vedoin, revela que seu aparato corrompeu 60 prefeitos e 20% do Congresso e adentrou o Gabinete de Humberto Costa, que não foi incriminado.
Sem dúvida, antevejo a compreensão do (a) leitor (a), o do porquê de assuntos pretéritos em matéria de corrupção até aqui narrados, justamente para se estabelecer uma cronologia do corrompido governo do PT, já no 1º mandato do presidente Lula. Então, toma o Mensalão e, agora, a Operação Lava Jato. Por derradeiro, transcrevo matéria do Correio do Estado, de 20/04/15: “São suspeitos de receber recursos desviados da Petrobras, para suas campanhas eleitorais, os senadores do PT Humberto Costa (PE) e Gleisi Hoffmann (PR). Os inquéritos abertos no STF investigam crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”. Eta Brasil de glórias mil.