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Correio do Estado

Editorial deste domingo: Trânsito estrangulado

Editorial deste domingo: Trânsito estrangulado

Redação

12/07/2015 - 00h00
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Há projetos polêmicos que causam discussão entre profissionais e especialistas do setor, mas que precisam ser inseridos em debate mais amplo com a população.

Quem vive em Campo Grande está acostumado a passar por largas avenidas com canteiros arborizados. A paisagem nem sempre pode ser apreciada, pois, em virtude do grande número de veículos em circulação, é preciso atenção redobrada com o trânsito. Também é necessário cuidado nas conversões, visto que não é difícil deparar-se com placa de mão única em uma rua que, até ontem, era possível trafegar nos dois sentidos. A constante mudança de sentido das vias é uma tentativa de reordenamento, reflexo do crescimento da cidade. O plano diretor de drenagem e mobilidade urbana, publicado nesta semana no Diário Oficial, tem algumas propostas de soluções para tentar evitar o estrangulamento viário para o qual a cidade se encaminha. Há projetos polêmicos que causam discussão entre profissionais e especialistas do setor, mas que precisam ser inseridos em debate mais amplo com a população, principal afetada pelas propostas.

O plano foi publicado no Diário como forma, segundo a assessoria da prefeitura, de “dar publicidade” ao que está sendo planejado para a cidade nos próximos anos. Entre as propostas, a construção de dois elevados: no cruzamento da Avenida Paulo Coelho Machado com a Afonso Pena, fazendo ligação com a Via Parque, por meio da Avenida Mauro Rogério Wanderley; o outro ligaria as avenidas Costa e Silva e Eduardo Elias Zahran à Rua 14 de Julho. Estas propostas foram elaboradas pelo Instituto de Planejamento Urbano de Campo Grande (Planurb) e passaram por votação na Câmara de Vereadores. O objetivo é otimizar a ligação de bairros periféricos ao centro, Jardim dos Estados e Bairro Santa Fé. 

Por enquanto, as propostas são conjecturas, mas podem ser aplicadas no futuro, ainda distante. Isso porque, no cenário atual, em que a prefeitura não pode contar nem com recursos federais para dar andamento a algumas obras, não há como iniciar projeto desta dimensão. As dificuldades financeiras e os trâmites burocráticos também foram levados em conta na divulgação do plano de reordenamento viário e, por isso, algumas alternativas também foram pensadas. Exemplo é transformar a Avenida Calógeras em mão dupla por dois quarteirões, até a Rua João Pedro de Souza, que teria sentido invertido até a Rua 14 de Julho, meio de fazer a ligação com o centro da cidade.      

É necessário intervenção. Quem dirige pelas ruas da cidade percebe a dificuldade diária em trafegar. Segundo o Detran–MS, são 509 mil veículos na Capital, conforme levantamento feito até junho deste ano. Em igual período de 2013, eram 459 mil. As vias do principal quadrilátero de ruas da cidade não comportam o volume de carros diariamente. Foi-se o tempo em que se dizia que Campo Grande era planejada. O crescimento atropelou as ações da gestão pública. A polêmica da instalação da grade de proteção no Anel Viário faz parte deste pacote. No entorno, vários bairros foram criados e a BR tornou-se parte do trânsito da cidade, sendo usada como meio de acesso dos moradores. É preciso celeridade na discussão das alternativas viárias, e a população precisa tomar consciência de seu papel e participar deste debate, já que é a principal interessada em evitar o crescente número de mortes relacionadas a acidentes. Até o início de julho, foram 38 óbitos.

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