A teimosia está isolando a presidente que, a cada semana, enfrente duras derrotas políticas, estrangulando cada vez mais a chance de permanência no poder.
Notícia veiculada em blog nacional informou que a presidente da República, Dilma Rousseff e o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, não se falam há um mês. A última conversa durou apenas dez minutos e foi marcada por forte desentedimento por causa do veto do fator previdenciário. Lula aconselhou a não vetar o que foi aprovado no Congresso e ela fez examtamente o contrário. O episódio evidencia que a teimosia está isolando a presidente que, a cada semana, enfrente duras derrotas políticas, estrangulando cada vez mais a chance de permanência no poder.
Na Câmara Federal, os votos contrários à vontade do governo já são recorrentes. Na semana passada, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, pediu à assessoria que fizesse um levantamento da situação das contas de governos anteriores que estão pendentes. O objetivo é colocá-las em votação para limpar a pauta e abrir caminho para agilizar a votação sobre as contas da gestão Dilma, ainda sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal identificou várias irregularidades e deve recomendar ao Congresso a rejeição. A situação gerou pânico e Dilma convocou ministros na tentativa de se blindar de pedido de impeachment, cabível na desaprovação das contas e possível de ser feito por qualquer cidadão.
As contas de campanha da presidente também estão na berlinda, depois que o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, pediu à Polícia Federal que investigue indícios de irregularidades rlacionados à prestação de serviços de empresa de comunicação visual, no valor de R$ 24 milhões.
O clima de insatisfação também chegou ao Senado, que aprovou a extensão política do reajuste do salário mínimo para todos os benefícios previdenciários, um chute no estômago e evidente traição da base governista. Sete parlamentares do PMDB votaram contra o Planalto. O clima é decorrente da falta de atendimento às demandas dos parlamentares. Eles reclamam que a gestão promete “mundos e fundos” e não cumpre nada. Neste quesito, estão cargos - barganha questionável dos nobres senadores - e projetos de interesse das respectivas regiões que são deixados de lado por inoperância presidencial.
O desgaste está tomando proporções difíceis de se contornar. Em recente entrevista à Folha de S. Paulo, a presidente foi taxativa em dizer que não vai cair, frase dita repetidas vezes, talvez, na tentativa de se convencer de que isso não é possível de acontecer. O tom de Dilma é imperativo e não aceita opiniões diversas. A discussão com Lula evidencia isso.
O ex-presidente, aliás, chegou a dizer que ele e a ex-melhor-companheira estavam no “volume morto” e criticou a mão-de-ferro com que o governo está tomando as decisões - hoje, evidentemente equivocadas - na política econômica do País. Lula não pode se eximir da culpa que tem no que está acontecendo no Brasil atualmente. Se hoje a crise está se tornando buraco sem fundo é graças a bolha ilusória criada desde a primeira gestão petista, comandada por ele. Porém, o ex-presidente já enxergou a catástrofe crescendo e se aproximando cada vez mais. O que ainda não foi visto por Dilma, que insiste em dizer que é só uma brisa. Quando o temporal vier, é ela quem vai vergar.