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Editorial desta segunda-feira: "No fio da navalha"

Editorial desta segunda-feira: "No fio da navalha"

Redação

13/07/2015 - 00h00
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A teimosia está isolando a presidente que, a cada semana, enfrente duras derrotas políticas, estrangulando cada vez mais a chance de permanência no poder. 

 

Notícia veiculada em blog nacional informou que a presidente da República, Dilma Rousseff e o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, não se falam há um mês. A última conversa durou apenas dez minutos e foi marcada por forte desentedimento por causa do veto do fator previdenciário. Lula aconselhou a não vetar o que foi aprovado no Congresso e ela fez examtamente o contrário. O episódio evidencia que a teimosia está isolando a presidente que, a cada semana, enfrente duras derrotas políticas, estrangulando cada vez mais a chance de permanência no poder. 

Na Câmara Federal, os votos contrários à vontade do governo já são recorrentes. Na semana passada, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, pediu à assessoria que fizesse um levantamento da situação das contas de governos anteriores que estão pendentes. O objetivo é colocá-las em votação para limpar a pauta e abrir caminho para agilizar a votação sobre as contas da gestão Dilma, ainda sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal identificou várias irregularidades e deve recomendar  ao Congresso a rejeição. A situação gerou pânico e Dilma convocou ministros na tentativa de se blindar de pedido de impeachment, cabível na desaprovação das contas e possível de ser feito por qualquer cidadão. 

As contas de campanha da presidente também  estão na berlinda, depois que o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, pediu à Polícia Federal que investigue indícios de irregularidades rlacionados à prestação de serviços  de empresa de comunicação visual, no valor de R$ 24 milhões. 

O clima de insatisfação também chegou ao Senado, que aprovou a extensão política do reajuste do salário mínimo para todos os benefícios previdenciários, um chute no estômago e evidente traição da base governista. Sete parlamentares do PMDB votaram contra o Planalto. O clima é decorrente da falta de atendimento às demandas dos parlamentares. Eles reclamam que a gestão promete “mundos e fundos” e não cumpre nada.  Neste quesito, estão cargos -  barganha questionável dos nobres senadores - e projetos de interesse das respectivas regiões que são deixados de lado por inoperância presidencial.

O desgaste está tomando proporções difíceis de se contornar. Em recente entrevista à Folha de S. Paulo, a presidente foi taxativa em dizer que não vai cair, frase dita repetidas vezes, talvez, na tentativa de se convencer de que isso não é possível de acontecer. O tom de Dilma é imperativo e não aceita opiniões diversas. A discussão com Lula evidencia isso.

O ex-presidente, aliás, chegou a dizer que ele e a ex-melhor-companheira estavam no “volume morto” e criticou a mão-de-ferro  com que o governo está tomando as decisões - hoje, evidentemente equivocadas - na política econômica do País. Lula não pode se eximir da culpa que tem no que está acontecendo no Brasil atualmente. Se hoje a crise está se tornando  buraco sem fundo é graças a bolha ilusória  criada desde a primeira gestão petista, comandada por ele. Porém,  o ex-presidente já enxergou  a catástrofe crescendo e se aproximando cada vez mais. O que ainda não foi visto por Dilma, que insiste em dizer  que é só uma brisa. Quando o temporal  vier,  é ela quem vai  vergar.
     

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