A propina para a campanha do ano passado foi paga durante negociação de obras de R$ 2,9 bilhões para a execução de obras na usina nuclear de Angra 3.
A medida que as semanas passam, os escândalos envolvendo o governo federal se aproximam cada vez mais da presidente da República Dilma Rousseff. Curiosamente, todos eles têm nome de algo grandioso, justamente porque os atos de corrupção denunciados, envolvem quantias vultuosas, cifras que chegam a casa dos bilhões de reais.
O mais novo “ão”, depois do Mensalão, que surgiu em 2006, e do Petrolão, que apareceu no fim de 2013 e ainda produz efeitos, é o “Eletrolão”, em que o uso de contratos do setor elétrico para desviar verbas públicas é investigado pela Polícia Federal. As acusações são seríssimas: pagamento de propina para o Partido dos Trabalhadores, o PT, por meio de licitação bilionária da Eletrobras.
A denúncia integra a delação premiada de Ricardo Pessoa, proprietário da Construtora UTC, um dos alvos da Operação Lava Jato, que investiga o Petrolão, e que, com base no relato do empreiteiro, poderá dar início ao Eletrolão. A propina para a campanha do ano passado foi paga durante negociação de obras de R$ 2,9 bilhões para a execução de obras na usina nuclear de Angra 3.
Em um de seus depoimentos, Pessoa revelou que no mês de setembro do ano passado, a assinatura do Consórcio Una 3 - formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC Engenharia -foi precedida de intensa negociação.
A Eletrobras pediu desconto de 10% no valor, que aceitou abatimento de 6%. O problema é que esta diferença não resultou em economia para os cofres públicos. Ao contrário, aguçou o apetite dos petistas.
Segundo reportagem publicada na edição desta semana da Revista Veja, tão logo formalizado o desconto de 6%, Valter Luiz Cardeal, diretor da Eletrobras, também conhecido como “homem da Dilma” chamou executivos do consórcio Una 3 para uma conversa que fugiu aos esperados padrões técnicos do setor elétrico. Faltava pouco para o primeiro turno da sucessão presidencial. O “homem da Dilma” foi curto e grosso: as empresas deveriam doar ao PT a diferença entre o desconto pedido pela Eletrobras e o desconto aceito por elas. A máquina pública era mais uma vez usada para bancar o partido em mais um engenhoso ardil para esconder a fraude.
Pessoa ainda contou que João Vaccari, tesoureiro do PT, ao saber do fechamento do contrato, o procurou para questionar a parte que seria destinada ao partido. A UTC acabou fazendo o repasse.
É mais um escândalo, dentre outros muitos, para a presidente Dilma Rousseff explicar. Está cada vez mais difícil para ela sair ilesa da tempestade causada pela combinação entre escândalos de corrupção, economia em crise e popularidade em baixa.
O que se espera neste momento de tensão política e econômica e de desgoverno do Brasil, é que o povo trabalhador não saia ainda mais prejudicado pela forte turbulência que o país atravessa.