Artigos e Opinião

ARTIGO

Ruben Figueiró: "Clima de perplexidade"

Ex-senador da República

Redação

16/07/2015 - 00h00

Poderia afirmar, que nós brasileiros estamos cruzando um período nebuloso, adverso ao nosso desejo, prenhe de notícias que nos causam pasmo. Diria até perdidos como cegos em tiroteio para uma análise reflexiva do quase total desequilíbrio econômico, fiscal e de poder de comando da atual presidente, a que se soma a vergonha que nos causa a corrupção desenfreada oriunda do lulopetismo reinante há mais de uma década.

Desse fulcro de más notícias veio a conclusão de um dos mais lúcidos cientistas políticos do País, o prof. da USP, José Álvaro Moisés, ao afirmar categoricamente que vivemos em uma fase de perplexidade, trapalhadas, tomados de espanto. Realmente, o brasileiro, diante do que vê, sente, tenta avaliar, está à procura de um fanal que lhe mostre o caminho para acabar com as trapalhadas. Para onde se dirige as vistas há penumbras e sob elas destroços de escândalos mil, ineficiência administrativa, a corrupção ampliada tal metástase além dos limites já conhecidos, mensalão, petrolão, aforante daqueles de menor malignidade.

Há solução? Evidente que há. A dúvida cruel é quando ocorrerá. Dias atrás, assistindo a um elucidativo programa pela televisão paga ouvi a opinião de três respeitáveis cientistas políticos: Bolivar Lamonier, José Álvaro Miguel, que já citei acima, e Murilo Aragão, todos exprobando a política atual em razão dos desacertos econômicos e sociais, além da crise moral (esta sob o manto do PT) do desgoverno Dilma. Teimosia, ranhentismo é a tônica da personalidade demonstrada pela presidente. Tal situação poderá continuar até o final do seu mandato, em razão dos temporais de acirramento político a ocorrer, além dos efeitos ou não do ajuste fiscal.

Num dos pontos de discussão, esta extremamente ponderável, acendeu as luzes para demonstrar a fragilidade orgânica dos partidos políticos de maior expressão eleitoral e de suas lideranças maiores. Não há partidos que expressem o atual sentimento político da Nação. Inexistem líderes com o condão – nada obstante as inegáveis qualidades de formação intelectual e política de muitos deles – de ir sentir a poeira das ruas e dos grotões, levantar concidadãos no sentido de restabelecer a dignidade do homem público hoje deveras desgastada e como.

No passado e já na Republica, o Brasil empolgou-se democraticamente para ouvir Ruy Barbosa, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek , os carbonários Carlos Lacerda e Leonel Brizola, cada um em seu estilo e propósitos levando às praças públicas multidões. Suas mensagens tinham conteúdo doutrinário indicando o norte, bússola tida como a orientação correta para consertar as deficiências.

A operação Lava Jato, mesmo ao desenrolar de atos que nos deixam perplexos com suas revelações escabrosas, indicam não distante o término desse período pecaminoso do lulo petismo. Oxalá!

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