Uma constatação que está ao alcance de todos é a que mostra a realidade da vida das pessoas. Mostra pessoas alegres, pessoas otimistas, pessoas que amam, pessoas que confiam, pessoas que perdoam e pessoas que acreditam.
Mostra, também, pessoas que caminham sem rumo certo, pessoas que não têm objetivos definidos, pessoas que amargam a solidão, pessoas entregues ao desânimo, pessoas que perderam o brilho dos olhos e a paz do coração.
Entre essas, estão os estrangeiros que buscam outros países para sobreviver. Veem-se obrigados a deixar família, cultura, tradição e submeter-se a tratamentos nem sempre humanos. Entre essas, estão também os doentes que não têm acesso a um sistema de saúde eficiente. Estão, ainda, os idosos explorados pelos familiares, tirando-lhes a minguada aposentadoria, ou tratando-os sem pudor e sem escrúpulo. E estão os meninos e meninas de rua prisioneiros da violência, destruindo sua inocência.
São realidades nada saudáveis e de difícil solução. O ativismo descontrolado e o apego aos interesses egoístas impedem ver e sentir tanta dor e tanto sofrimento. Faltam sentimentos e atitudes de compaixão. Faltam corações que acolham e auxiliem a reencontrar a alegria de viver. Faltam gestos humanos que confortem, que transmitam carinho e ternura, pois a sociedade está demasiadamente materializada, insensível e desumana.
O Mestre dos mestres revela a seus seguidores um segredo precioso, mas também comprometedor. Vê as pessoas cansadas e as convida a descansar. Vê as pessoas famintas e realiza com elas o milagre da multiplicação dos pães. Vê pessoas sofridas e se compadece.
Não fez e não faz como nós fazemos. Nós vemos as pessoas sofrendo e simplesmente sentimos pena. Não nos aproximamos. Mantemos distância e lamentamos. Podemos até gritar contra o poder público e contra a Igreja por não assistirem esses seres humanos desumanizados.
Mas ficamos nisso. Falta compaixão. Falta descer do pedestal do orgulho e sofrer junto, sentir a dor do outro doendo em mim. Não alimentar um sentimento emotivo, mas aproximar-se, curar as feridas, fortalecer a esperança, iluminar o olhar e abrir caminhos de novos sonhos e de novas possibilidades.
Compaixão! Mais do que um sentimento, é uma atitude. É colocar-se no lugar de quem está sofrendo e ver como gostaria de ser tratado. Foi o que fez Jesus Cristo. Ao voltar do descanso com seus discípulos, “Viu diante de si uma grande multidão e teve compaixão, porque estavam como ovelhas sem pastor”.
Esse é o retrato do mundo atual. Vemos muitos casais desorientados e sem forças para conduzir uma família. Vemos muitos jovens desanimados e perplexos face à dificuldade em conseguir um bom lugar ou um bom emprego. Vemos tantas crianças jogadas para a avó, para a tia ou para uma organização governamental, para serem amparadas e encaminhadas.
Isso não é humano e não é cristão. Algo precisa ser feito para que a humanidade consiga celebrar a fraternidade e a partilha feliz dos bens materiais e espirituais.