Veio à tona o que há de pior que se tem conhecimento das engrenagens do sistema político: os acordos fechados mediante vantagens pessoais, o favorecimento de empresas e empresários.
Para qualquer canto que o cidadão brasileiro olhe, vai se deparar com escândalos de corrupção. Em esfera nacional, o ano de 2014 já começou com a Polícia Federal metendo o pé na porta de grandes empresas e nas luxuosas casas de empresários e políticos que, até então, imaginavam-se imunes às ações investigativas e fora do alcance do Judiciário. Os desdobramentos chegaram a Mato Grosso do Sul com repasse de doações – legais e ilegais – relatadas pelos delatores, e pelo menos três deles citam o senador Delcídio do Amaral (PT-MS). No Estado, a população acompanha a mini-Lava Jato, denominada operação Lama Asfáltica, que, a exemplo do esquema nacional, envolve políticos, empreiteiros e servidores.
A impressão que fica, infelizmente, é que o Poder Público tornou-se o “Podre” Público. A classe política já não ocupava as primeiras posições no ranking de confiabilidade do povo brasileiro e está cada vez mais desacreditada. Veio à tona o que há de pior que se tem conhecimento das engrenagens do sistema político: os acordos fechados mediante vantagens pessoais, o favorecimento de empresas e empresários em detrimento dos benefícios que deveriam ser dados à população, o escracho e o desprezo pelo Legislativo, Executivo e Judiciário. É necessário separar o joio do trigo, afinal, não se pode jogar todos os congressistas na vala comum da corrupção. Porém, infelizmente, o que se evidencia hoje é a lista de políticos que teriam recebido propina ou doações, como preferir, formando patrimônio incongruente com a realidade.
Aliás, propina, no melhor estilo velado dos envolvidos nos esquemas fraudulentos, ganha outros nomes. Na operação Lava Jato, os corruptos incorporaram a gíria da malandragem e adotaram o “pixuleco”, como aparece em gravações de conversas entre o dono da UTC, Ricardo Pessoa, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, em referência ao que tinha sido cobrado pelos contratos com a Petrobras. Em Mato Grosso do Sul, de acordo com o apurado na operação Lama Asfáltica, o dinheiro ganhou “sinônimos” não muito originais e até ilógicos no contexto de conversa entre parlamentar e a secretária de empreiteira. É o exemplo de ingresso de circo, um mimo que foi dado depois de muito debate e encontro escuso, no pátio de empresa em Campo Grande. Entre os investigados, nunca se tomou tanto café: forte, fraco e fraquinho; segundo a Polícia Federal, pagamento de propina.
É melancólico ver o que se tornou o cenário da política brasileira. Espera-se que o surgimento da sujeira também signifique o prenúncio da limpeza ou, no mínimo, mais zelo do ente político pela população e pelos recursos públicos. No Estado, o rastro da corrupção ainda está só no começo. A negociação de delação premiada na operação Lama Asfáltica já começou, o que mostra a gravidade do que foi apurado pela polícia até agora e o medo dos envolvidos da condenação pelos crimes. E muitos ainda vão cair.