Ainda existem pessoas de coração bom e mãos generosas. E são muitas. São aquelas que através da historia deixaram em seu caminho favores e obras sem revelar seus nomes. Mas o Deus em quem acreditam sabe quem são e o que realizaram. Só ele saberá avaliar a grandeza e a importância do bem praticado solidariamente.
Exemplos se encontram em toda parte e em todo ambiente. Mesmo prejudicando seu bom nome existem os que ultrapassam os costumes e as leis e se solidarizam com quem esteja passando por momentos amargos. São seres humanos socorrendo outros seres humanos.
São motoristas acudindo motoristas em apuros. São operários acudindo operários em dificuldade. São vizinhos acudindo vizinhos em situações difíceis. São irmãos acudindo irmãos com algum problema. Tudo na gratuidade. E, em alguns casos, arriscando a própria honra ou a própria vida.
Ainda existem pessoas ricas em misericórdia e generosas em amor colaborando com a felicidade de quem se encontra à margem da vida. Mesmo que o mundo esteja ferido por tanta mesquinharia, por tanto egoísmo e por tanto indiferentismo, ainda se encontra quem, iluminado por Deus, realize milagres de vida nova e de esperanças realizáveis.
O Mestre dos mestres a cada dia nos surpreende com suas observações e com suas atitudes. Mostra a quem ainda não assumiu alguma atitude em face do sofrimento que atinge tantos irmãos e irmãs que ainda é tempo para realizar algo em seu favor.
Em lugar de olhar indiferente as necessidades das pessoas, é bem melhor abrir as mãos e colocar à disposição o pouco que possui e celebrar o milagre da partilha e da alegria de todos. Ao ver a multidão faminta, o Mestre sente a necessidade de saciar sua fome. Mas não quer fazê-lo sozinho. Chama os discípulos e solicita que providenciem alimento para todos. Eles, porém, se desculpam um após o outro alegando não possuir o necessário para todos. Mesmo assim o Mestre pede que todos se acomodem.
Alguém do meio da multidão decidiu colocar à disposição o pouco que guardava para si. E o milagre aconteceu. Todos se alimentaram. Todos saciaram sua fome e restabeleceram suas energias. E o ambiente se transformou. O que era tristeza se fez alegria. O que era medo se fez satisfação. E o que era treva se fez luz.
O nosso mundo seria mais belo, mais saudável, mais fraterno e mais humano se aceitássemos dispor um pouco do que possuímos para o bem dos demais. Existem muitos armazéns. Existem muitos e enormes depósitos de alimentos. E tantos passando fome. Existem muitas clínicas, muitos centros de saúde para quem pode pagar planos especiais. E existem tantas mortes prematuras.
Existem muitas escolas, muitas universidades reservadas para as elites. E o mundo continua carente e analfabeto. Existem muitas igrejas administradas por leis demasiadamente severas. E por isso ainda existem tantos pagãos.
O que fazer? Seria apenas continuar o que o Mestre Jesus começou: repartir o que se tem e o que se é. E o milagre será permanente.