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Editorial desta quinta-feira: "Retração e cautela"

Editorial desta quinta-feira: "Retração e cautela"

Redação

30/07/2015 - 00h00
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A inflação pressionou o custo de vida e causa clima de insegurança que perdurará ainda por muito tempo.

O mês de julho está agonizando e, com ele, qualquer perspectiva de retomada de crescimento econômico para o segundo semestre. As palavras de ordem são cautela e corte de gastos. A próxima data de compra, o Dia dos Pais, historicamente, rende menos que Dia das Mães ou Natal, mas este ano deve ser mais frustante ainda. O Instituto de Pesquisa Fecomércio já estima redução de R$ 10 milhões no volume negociado no varejo, na data. O recuo do consumidor provoca reação dos lojistas em Campo Grande: a maioria ainda tem estoque sobrando e não fará novos pedidos enquanto ainda tiver material armazenado. O efeito cascata, por exemplo, no caso da confecção, é a estagnação da indústria têxtil, um dos setores que mais contribuiu para a redução dos postos de trabalho no Brasil.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Confiança das Empresas do Comércio (Icec) entre os empresários campo-grandenses caiu 9,6% no mês de julho comparado a junho, alcançando 78,3 pontos. Quanto mais abaixo de 100 o índice estiver, mais pessimista é a percepção do comércio em relação ao desempenho da economia brasileira, assim como do setor varejista. No caso de Mato Grosso do Sul, o Icec deste mês ficou em 122,9 pontos. As expectativas depositadas na economia do País também estão menores – o índice caiu 10,8%. Consequência da confiança menor, o indicador de contratação de funcionários diminuiu 3,2% e o nível de investimento das empresas 8%.

Além da redução das contratações, há elevação no número de demissões: no acumulado dos últimos doze meses, foram 5,6 mil postos de trabalho fechados no Estado. Somente em junho, foram 697 demissões em Campo Grande. Não é à toa que Mato Grosso do Sul teve alta de 15,81% no número de dívidas em atraso, índice que é quase três vezes maior que a média nacional. O preocupante é que a inadimplência está na falta de pagamento de contas de água, luz, financiamento e empréstimos bancários, que até então eram contas que estavam no topo da lista dos brasileiros. 

A inflação pressionou o custo de vida e causa clima de insegurança que perdurará ainda por muito tempo. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já avisou que o esforço fiscal pode ser elevado nos próximos anos, o que dependerá da reação econômica. Nesta balança, entram cortes de gastos e aumento dos tributos, tudo para que tenha dinheiro em caixa para pagamento dos débitos. A dinâmica assusta e afeta diversos setores da economia, que seguram os gastos. Com isso, a tendência clara é de retração de consumo do brasileiro, que não consegue ver perspectiva de melhorias a curto prazo. As agências de qualificação de risco internacionais chamam atenção para esta falta de confiança na economia do Brasil, o que deixa os investidores ressabiados e no compasso de espera por mudança no cenário.

Os lojistas entrevistados pelo Correio do Estado dizem que apostam em técnicas de atendimento e promoções para tentar animar os clientes. Além disso, buscam minimizar baixas despesas, mas que fazem diferença no custeio final. São pequenas conquistas para tentar colocar freio nos gastos.

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