Desta vez, o alvo da ‘“tesoura” do ministro da Fazenda Joaquim Levy é o Programa Habitacional Minha Casa, Minha Vida
As evidências de que a presidente da República Dilma Rousseff praticou estelionato eleitoral na eleição do ano passado ficam mais fortes a cada dia. Desta vez, por mais que o governo tenha tentado evitar, não deu para esconder de sua base de eleitores que os programas sociais serão sim afetados pelos cortes no orçamento do ano que vem, necessários para equilibrar as contas no ano que vem.
Desta vez, o alvo da ‘“tesoura” do ministro da Fazenda Joaquim Levy é o Minha Casa, Minha Vida. O programa habitacional terá de passar um alinhamento com a atual proposta orçamentária do governo federal para 2016, que prevê um déficit de R$ 30,5 bilhões nas contas do próximo ano.
Para se ter ideia da lentidão do governo com o programa, que ajuda a movimentar a construção civil e, por consequência, a economia do País, ainda faltam 1,4 milhão de casas da segunda fase para serem inauguradas e a terceira fase, que já era para ter saído do papel, ainda não passa de um projeto.
O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, afirmou os programas sociais que demandam “investimentos físicos”, como é o caso do Minha Casa, Minha Vida, terão de se ajustar ao orçamento apertado do próximo ano. Ao defender os cortes, ele tratou de preservar a iniciativa que é o “carro-chefe” dos programas sociais do PT: o Bolsa Família. Analistas políticos, no entanto, garantem que o governo já atua para efetuar cortes de recursos, sem que o público beneficiado perceba.
Na educação, sobretudo no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o dinheiro também será curto e a meta de ampliação de vagas caiu pela metade. Diga-se de passagem, o Pronatec foi exaustivamente utilizado por Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2014, como uma iniciativa de sucesso na educação profissionalizante.
O Ministério da Educação previa ampliar em 12 milhões a quantidade de vagas do programa educacional, mas agora, por causa dos cortes no orçamento do próximo ano, a meta foi reduzida para 5 milhões.
O programa Ciência Sem Fronteiras, que permite intercâmbio no exterior de estudantes universitários brasileiros, também terá menos verba no ano que vem. O investimento na produção científica destes alunos caiu de R$ 3,5 bilhões para R$ 2,1 bilhões.
As atitudes recentes do governo federal no que se refere aos programas sociais, demonstram que o governo de Dilma Rousseff está jogando contra sua base de eleitores: as pessoas beneficiadas por estas ações sociais. Isto ajuda a explicar a baixíssima popularidade da mandatária, aprovada por apenas 7% dos brasileiros, menos de um ano depois de ter sido reeleita. O tempo, neste caso, foi o senhor da razão, sobretudo para aqueles que alertaram sobre as medidas impopulares que ela tomaria depois das eleições.