Bernal assumiu o cargo novamente, no fim de agosto, com retorno triunfal no dia 26, no desfile do aniversário da cidade. De lá para cá, ainda não deslanchou
Não há como evitar sensação de déjà vu em relação às articulações políticas do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. A exemplo do início da primeira gestão, em 2013, ainda está isolado, com pouco apoio na Câmara de Vereadores e, por enquanto, sem previsão de mudança no cenário. Naquela época, o que se viu foi a paralisação administrativa na cidade, que culminou na cassação dele. Ainda que hoje o episódio esteja em investigação, e o voto dos parlamentares tenha sido colocado em dúvida, existiram outros fatores que influenciaram a desconfiança geral em relação ao alcaide.
Passados quase dois anos, estamos assistindo à repetição da novela. Bernal assumiu o cargo novamente, no fim de agosto, com retorno triunfal no dia 26, no desfile do aniversário da cidade. De lá para cá, ainda não deslanchou. O quadro de secretários não foi totalmente definido; há casos em que um secretário assumiu duas pastas. É acúmulo que dificulta a retomada da engrenagem administrativa. O entrave é político, pois não há partidos que queiram estar vinculados à atual gestão: isso pode ser prejudicial nas eleições de 2016. A vinculação pode ser nefasta para as futuras articulações e composições para disputa à prefeitura.
Na Câmara de Vereadores, a novela se repete: até agora, Bernal não ampliou a base de apoio de forma significativa. Além dos seis parlamentares que já integravam este quadro, somente dois foram cooptados; um deles, Eduardo Cury (PTdoB), de forma apartidária. Sem caminho aberto para as negociações, a governabilidade ainda é espinhosa e com pouca mobilidade. As conversações, segundo lideranças ouvidas pelo Correio do Estado, não teriam sido convocadas para conversa. Além da falta de traquejo de Bernal, os parlamentares também estão olhando para o próprio umbigo político, mirando nos projetos individuais nas eleições.
Dentro da Câmara, o clima também não é dos mais amigáveis. Troca de farpas, durante a sessão de ontem, deu uma amostra de que a animosidade voltou com maior carga de tensão entre os vereadores. Houve até “guerra de apelidos”, durante análise de requerimentos sobre merenda escolar vencida. Até que os ânimos se acalmassem, a votação parou. Na Casa de Leis, o ano tem sido de letargia, com interrupções constantes dos trabalhos, seja pela transição de gestão, seja pela greve dos professores.
A transição de todos os governos é período delicado, em que informações imprescindíveis são trocadas para garantir a continuidade dos serviços. Por duas vezes, no mesmo mandato, Campo Grande está partindo do zero, pois não houve processo amigável de mudança. Pelo contrário, não há como se esquecer da invasão da prefeitura no retorno relâmpago de Bernal, que foi defenestrado poucas horas depois.
Para quem está nas ruas, é visível o quanto isso tem sido prejudicial à cidade. A greve da concessionária de lixo é só um exemplo disso.
Infelizmente, tem muito ainda por vir.