De uns tempos para cá Campo Grande deixou de ser uma cidade limpa em todos os seus quadrantes. Do velho centro aos bairros e vilas da periferia, a cidade orgulhava seus moradores pela limpeza de seus recantos públicos. Se não tínhamos ainda a estrutura moderna de um aterro sanitário, pelo menos podíamos contar com a eficiência da coleta de lixo, que, regulamente, recolhia por dia milhares de toneladas de lixo, jogando-o no “lixão” situado na periferia.
De repente, a nova ordem administrativa municipal passou a questionar as regras do contrato celebrado entre a Prefeitura e a empresa coletadora de lixo, a SOLURB, surgindo a partir de então muita confusão em torno dos valores do contrato, e dos pagamentos já efetuados segundo o ente municipal. Antes de dialogar, ambas as partes passaram a agir totalmente em desconsideração aos munícipes, pois a Prefeitura sustou imediatamente os pagamentos das parcelas mensais em aberto, e a prestadora do serviço paralisou incontinentemente a coleta de lixo.
Pior: deixou de efetuar o pagamento dos salários de seus empregados, motivando a justa greve levada a efeito por eles durante vários dias, o que levou Campo Grande a ostentar um visual miseravelmente desconforme com a tradição de cidade limpa, que sempre a destacou no cenário nacional, envergonhando-nos agora com montanhas de lixo esparramadas pela cidade afora, servindo de banquete macabro aos urubus.
Certo que a Prefeitura, como responsável pela coisa pública, pode e deve questionar qualquer contrato, quando nele houver suspeita jurídica possível de acarretar prejuízo aos cofres públicos. Todavia, o gestor municipal deve saber empregar aquele velho truque que o carioca consagra em suas sábias tiradas populares: “jogo de cintura”.
Ou seja, negociar sempre cautelosamente, visando equacionar o problema de forma proveitosa para ambas as partes. Portanto, protelar indefinidamente a solução de uma dúvida contratual pode levar ao caos a administração pública, como no caso da falta de coleta de lixo numa cidade prestes a ter um milhão de habitantes, o que dá a entender as dimensões do problema.
Sentimos que os problemas da coleta de lixo em nossa cidade está longe de chegar ao fim, pois em muitos bairros o lixo ainda está amontoado sem que a empresa coletadora chegue lá para cumprir a obrigação.
Os moradores reclamam na mídia diariamente, especialmente na televisão, que mostra no ar a mísera sujeira em nossa querida Cidade Morena – uma lástima! Enquanto isto acontece, a briga continua entre as partes contratantes, e pode chegar ao Poder Judiciário em possível ação de rescisão contratual, o que demandaria tempo e paciência para se chegar à solução final. Enquanto isso, o cidadão campo-grandense perde indefeso a primazia de morar na cidade outrora aprazível, como sempre foi Campo Grande até pouco tempo atrás.
Por oportuno, relembro aqui o enganoso lema “mudanças já”, solenemente utilizado nas últimas duas eleições passadas, quando os candidatos vitoriosos conseguiram enrolar os eleitores com a necessidade de mudança nas administrações estadual e municipal. Agora, a população campo-grandense colhe os frutos das mudanças levadas a efeito pelo sufrágio do voto: a incerteza de um governador, que até agora não definiu os rumos a seguir por sua administração, e na esfera municipal, o imbróglio de dois prefeitos, com o caos administrativo a infernizar a vida dos moradores de nossa querida cidade.
A esculhambação estabelecida nesse período jamais teve similar em toda a existência de cento e dezesseis anos de fundação de Campo Grande, o que é lamentável! Quiçá nas próximas eleições de 2016 se façam necessárias reais mudanças, porque agora sim elas se mostram prementes a trazer de volta o nosso orgulho, quebrado desastradamente por administradores incompetentes - verdadeiros improvisadores da arte de administrar.