A quebra de confiança entre quem tem dinheiro para circular no mercado e a administração pública federal é um dos elementos geradores da crise
O fechamento de 1,5 mil empresas neste ano, em Mato Grosso do Sul, conforme reportagem publicada ontem, no Correio do Estado, é mais um reflexo da crise econômica que o Brasil atravessa desde o fim do ano passado. Para a extinção desses negócios, cabe interpretação nada animadora para o mercado de trabalho: menos empresas operando significa menos emprego formal e ainda mais problemas.
Sintoma da crise, os números da Junta Comercial de MS também indicam outro diagnóstico, de que o ambiente está cada vez mais desfavorável para ações que visam o crescimento do País, a geração de vagas de trabalho e, por consequência, a ampliação da distribuição de renda. A triste constatação é de que as pessoas que de fato trabalham bem-intencionadas, como muitos empresários, são as mais prejudicadas pela falta de credibilidade do governo federal – mais impopular das últimas décadas, diga-se de passagem.
A matemática explica a falta de confiança dos investidores do Brasil e do mundo na economia do País. Uma nação, cujo governo cobra altos impostos, que inviabilizam a produção, e ainda assim gasta de forma perdulária mais do que se arrecada, não merece o crédito daqueles que têm capital para colocar em circulação.
A quebra de confiança entre quem tem dinheiro para circular no mercado e a administração pública federal é um dos elementos geradores da crise. A instabilidade política, administrativa e financeira do governo leva qualquer pessoa, física ou jurídica, que tenha dinheiro guardado, a esperar o cenário melhor para gastá-lo. É dessa forma que um cidadão adia a compra de seu carro, a troca do imóvel ou mesmo uma viagem. Da mesma maneira, as grandes empresas postergam ou cancelam investimentos, que gerariam mais empregos.
O pessimismo que toma conta do Brasil gera desemprego e afunda ainda mais a economia. Com menos dinheiro circulando, há menor necessidade de vendedores no comércio, de operários na indústria e, até mesmo, de trabalhadores no campo. É esta baixa demanda a principal causadora do fechamento maciço de empresas em Mato Grosso do Sul e no Brasil, conforme constatado pela Jucems.
É triste perceber que os dias difíceis devem permanecer. Enquanto não houver compromisso do governo em gastar menos do que arrecada e paz nas relações políticas em Brasília, a tendência é que a situação piore ainda mais.
O desânimo do setor produtivo para este fim de ano – época em que a crise costuma dar uma pausa – é preocupante. A possibilidade de servidores públicos da Capital não receberem seus 13º salários em dia, a redução de vagas temporárias no comércio e o aumento do desemprego são indicativos de que as festas de fim de ano devem ser pouco fartas, e a quantidade de empreendimentos fechando as portas, ainda maior.