Somos membros de uma sociedade humana com suas qualidades e com suas falhas. É uma sociedade que infelizmente privilegia o lucro, a competição e a busca desenfreada pelo poder. O que manda é o dinheiro. E com o dinheiro, vêm também o poder e a ambição. Não aceita ser menosprezada ou marginalizada.
Apesar disso, somos humanos. Como humanos sentimos a necessidade de um tratamento humano. Como filhos e filhas de Deus, temos o direito de um tratamento de respeito profundo e de um amor que faça com que todos sejam participantes da mesa sagrada das bênçãos de Deus.
Na realidade, porém, as diferenças continuam gritantes. Nem todos tratam seus semelhantes com o respeito que lhes é devido e com o amor que é sagrado. A ambição pelo dinheiro e pelo poder invade a mente de muitos. Chega ao absurdo de querer eliminar a quem se interponha em seu caminho.
Essa ambição não é abençoada por Deus. Não é o poder de dominar que agrada ao Senhor. O que lhe agrada é que cada um seja o servidor dos demais. A grandeza de seus seguidores não está no cargo que ocupa nem no título que possui, mas na humildade e na simplicidade com que serve os demais.
A família será feliz enquanto marido e esposa se fizerem servos um do outro e, juntos, servirem seus filhos. Uma escola alcançará seus objetivos na medida em que seus professores se colocarem a serviço da formação de seus discípulos. A comunidade viverá na harmonia e no contentamento a partir do momento em que os que exercem o poder o façam como servidores do bem comum.
Ainda é importante salientar o valor do serviço médico em favor da vida, o trabalho dos legisladores em favor do bem da sociedade, o atendimento delicado dos comerciantes livres da ganância e honestos nos preços, a presença das igrejas como responsáveis pelo bem-estar humano e espiritual não impondo leis e proibições, mas, como Jesus fez, ajoelhar-se e lavar os pés e a alma dos pecadores.
Não será fácil. Mas é isso que o Mestre dos mestres propôs aos dois seguidores que se apresentaram a ele e ousadamente, na frente dos demais, sem qualquer escrúpulo, lhe disseram: “Mestre, nós queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos” (Mc. 10, 35).
E sabemos o que pediram: “Quando estiveres na tua glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda” (Mc. 10, 37). E o Mestre, com a sabedoria que lhe é própria, responde: “Vocês não sabem o que estão pedindo”. É muita arrogância dos dois. Pensam apenas em garantir um lugar de honra e um posto privilegiado.
Mas o Mestre conhecia muito bem a intenção e o pensamento deles. Não estava para decepcionar ou iludir ninguém. Sabia como agir e como se portar, pois estava a caminho de Jerusalém, caminho da cruz. Lá se cumpriria o gesto mais sagrado de sua vida: doar-se como servo humilde e sofredor.
Daí a razão de revelar: “Vocês não sabem o que estão pedindo”. É preciso refletir seriamente antes de pedir qualquer coisa a Deus. Com Deus não se brinca. Ele nos trata com respeito e muita delicadeza.