O Dia do Professor - 15 de Outubro - é uma data emblemática na medida em que reúne a percepção de algumas conquistas e dos desafios pelos quais passa a Educação em termos nacional e internacional. Não obstante, é necessário lançar luzes críticas sobre o sentimento que toma parte de muitos entusiastas da Educação.
O termo “niilismo” indica, genericamente, o processo pelo qual os valores tradicionais da cultura humana têm perdido seus significados na vida Moderna e promovido uma onda de atitudes conservadoras e fundamentalistas que culminam na violência. Hannah Arendt se insere nessa discussão, tratando o tema sob o conceito de “fio rompido da tradição”. Para a autora a Modernidade se caracterizou pela perda dos grandes conceitos da tradição Antiga e Medieval.
Para Arendt essa ruptura teve um forte reflexo na educação, pois para ela o educar está vinculado à autoridade do professor. Assim, a autoridade está assentada, por um lado, no pertencimento que o professor tem frente ao mundo quer ensinar e, por outro lado, no esfacelamento dela, como efeito da perda dos referenciais da tradição. Noutras palavras: a autoridade do professor é uma ideia opaca, em que nos resta apenas certa nostalgia do que esse conceito representou no passado. Ademais, a crise na educação consiste no esfacelamento da autoridade, intrinsecamente, porque a categoria docente sofre de uma profunda crise de identidade quanto ao sentimento de descrença em relação à cultura humana e pelo ceticismo que nutrem ao efetivo poder da educação.
A crise na educação, pelo visto, apresenta-se como uma condição [doentia] do espírito humano na Modernidade. Como efeito material, percebemos as gradativas ofensivas contra a Educação, como a desvalorização moral e financeira do docente, fechamento de escolas públicas, desvios de recursos públicos, sucateamento do sistema educacional e a exclusão de importantes disciplinas à formação humana do currículo acadêmico.
Como forma crítica de enfrentamento às ofensivas surge um discurso nostálgico e metafísico sobre a defesa tanto dos profissionais da educação bem como dela mesma. Este discurso não perde em valor. Entretanto, ele se torna obsoleto quando pretende estabelecer uma conexão dialógica com uma realidade em que a linguagem de ambas não se assemelham. Ou seja, a forma que o senso comum detém para difundir a valorização do professor ou da Educação está formalizada numa linguagem metafísica, que frente aos interesses do capital torna-se uma crítica ineficiente. Assim, é preciso rever tanto os conceitos quanto as linguagens com os quais a sociedade tem discutido a Educação. Novas luzes críticas precisam emergir, possibilitando que os professores possam sair daquele conforto teórico que os conceitos nostálgicos da tradição nos deixaram como legado. Tampouco as mensagens nostálgicas das redes sociais não são suficientes para inaugurar uma axiologia da Educação que pretendemos assegurar na atualidade. Faz-se urgente, por exemplo, que professores se adéquem às novas tecnologias da informação e se atualizem nos conhecimentos da neurociência, que têm transposto vários paradigmas cognitivos. Todo professor do século XXI deve entender que é preciso ser professor para o século XXI.
Isto é uma luta pessoal que cada professor deve empreender, pois se ele não demonstra o seu pertencimento ao mundo que pretende professar, essa conquista não virá pelos partidos políticos que ora só agem em função da necessidade metabólica de seus dirigentes.