É notório que a população campo-grandense precisa muito mais da polícia do que o prefeito e a vereadora Luiza Ribeiro
A presença de policiais militares armados, à paisana, dentro da Câmara dos Vereadores de Campo Grande, conforme informação do presidente da Casa, vereador Flávio César, é fato gravíssimo. Em primeiro lugar, porque não é admissível a presença de homens armados para fazer trabalho de segurança particular de quem quer que seja dentro do espaço do Poder Legislativo do município – local público, que deve ser democrático e acolhedor. Estes policiais, conforme boletim de ocorrência registrado ontem, pela Polícia Civil, estariam atuando para a vereadora Luiza Ribeiro (PPS).
Em segundo lugar, porque, em caso de confirmação de que estes homens armados de fato pertençam à Polícia Militar, ficará evidente a incoerência de nossos administradores públicos, que designam PMs para trabalho particular em favor de políticos, enquanto as ruas e os bairros de Campo Grande, sobretudo da periferia, estão desprotegidos.
Outro problema que emerge desta situação lamentável é a bagunça em que a Câmara dos Vereadores se transformou. A Casa de Leis, que deveria protagonizar momentos de transformação e organização da cidade de Campo Grande, virou cenário de ameaças, troca de ofensas, vias de fato e, agora, de seguranças armados. É o fundo do poço. Momentos de baixaria pura, nesta legislatura.
A gravidade do caso pede que a apuração do incidente seja completa, rápida, e as possíveis punições sobre o incidente, exemplares. Há muitos fatos a serem esclarecidos; o primeiro deles é que policiais cedidos para o prefeito Alcides Bernal não deveriam fazer a segurança particular da vereadora. Estes militares, diga-se de passagem, nem sequer deveriam atuar para a prefeitura, que já conta com sua força de segurança, a Guarda Municipal.
Também é necessária a explicação do secretário estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Sílvio César Maluf, sobre o incidente. A autoridade, que tem sob sua responsabilidade o comando da Polícia Militar, deve dar mais detalhes sobre esta cedência de policiais para o prefeito Alcides Bernal.
É notório que a população campo-grandense precisa muito mais da polícia do que o prefeito e a vereadora Luiza Ribeiro. No início deste ano, o governador Reinaldo Azambuja e o secretário Maluf se comprometeram a remanejar policiais cedidos a outros órgãos, para trabalhar nas ruas e compensar o efetivo escasso da PM. Isto parece ainda não ter ocorrido.
A presença de policiais militares armados no plenário da Câmara merece investigação, não somente na Polícia Civil, em que o presidente Flávio César comunicou a ocorrência, mas também na Polícia Militar, que cedeu os policiais, e na Câmara Municipal. Esta violação aos costumes de cordialidade e urbanidade nas relações entre parlamentares, que têm de prevalecer em um Poder Legislativo civilizado, não deve ser esquecida.