A humanidade é marcada por opostos. De um lado, os ricos querendo ficar mais ricos. De outro lado, os pobres querendo superar a pobreza, mas se encontram desprotegidos e desassistidos, tendo que mendigar a sobrevivência.
Uma parcela dessa humanidade pertence ao grupo das nações desenvolvidas. E uma parcela maior pertence às nações subdesenvolvidas. E tem que se contentar com as sobras dos ricos. E todos nós, ricos e pobres, temos razões próprias de analisar e de propor soluções. Aparentemente, o pensamento é livre, embora condicionado por alguma ideologia capitalista.
O difícil será surgir alguém que consiga derrubar essas barreiras e abrir portas para o reencontro de irmãos que possam sentar à mesma mesa e repartir o mesmo pão: o pão da partilha solidária e o pão que significaria eucaristia como alimento de paz e de prosperidade para as multidões que mantêm preso na garganta o grito da esperança.
As próprias igrejas, em suas mais diversas denominações, estão longe de uma vivência coerente com a palavra de Deus. Belas pregações, emocionantes convites, mas o coração longe do verdadeiro amor e da humana solidariedade. São prisioneiras de suas próprias estruturas moralistas. Impressiona o tanto de exigências impostas aos fiéis.
Ameaças são proferidas contra quem não seja capaz de cumprir as exigências e normas estabelecidas pela organização. Condenações são atiradas contra quem não conseguir preencher os requisitos morais e religiosos. Para esses, não haverá garantia alguma de salvação.
Infelizmente, ainda acontecem essas ameaças e essas encenações. Mesmo vendo que a sociedade moderna tem outro pensar, outra maneira de encarar a realidade, continuam as ameaças e continuam as condenações moralistas.
E o Mestre dos mestres quer um mundo diferente, um mundo mais humano, mais fraterno e mais solidário. Ouve o grito do cego sentado à beira do caminho. Escuta o clamor do leproso excluído da sociedade. Acolhe o paralítico impossibilitado de andar. Alimenta a multidão faminta. Abraça e abençoa as crianças desamparadas. Perdoa a pecadora marcada para ser apedrejada.
É muito cômodo recordar esses gestos e essas atitudes. É bonito, e até emocionante, relatar e partilhar esses fatos, essas pregações e esses ensinamentos. Mas o difícil estará no assumir um compromisso libertador dessas situações de verdadeira escravidão. Todas essas pessoas são apenas pontos de referência para purificar a fé e para exercer a missão profética.
Existem muitos cegos à beira do caminho e não veem que estão sendo manipulados pelas redes sociais. Existem muitos pais e mães cegos e não veem o filho sendo arrastado para o caminho da droga, do alcoolismo ou da violência.
Não podemos permanecer indiferentes, pois seremos cegos também. Não podemos apenas lamentar. Precisamos agir e fazer algo para que esse mundo seja libertado da escuridão e encontre o caminho da luz: a luz da verdade, a luz do amor e a luz de uma vida digna para todos.