O transporte urbano, por exemplo, é “bolado” por dirigente de inteligência bem distinta do dirigente no Rotary, sem dúvida. Afirmo isso, com tranquilidade, pois vivencio os efeitos de uma e da outra. Minha vivência como usuário do transporte urbano tem sido menos, bem menos intensa que de rotariano, pois o Rotary eu não apenas vivencio, vivo.
Ao utilizar transporte urbano, ainda que não diário e não depender muito dele, percebo que a inteligência dos dirigentes deste é bem distinta da que se reflete no Rotary Clube. Deparei-me, por exemplo, com o aviso: “aqui, só cartão”. Obediente a leis e normas que sou, providenciei meu “cartão de idoso”, de meu direito há muito (estou chegando aos oitenta, pela permissão divina).
Em uma oportunidade, não identifiquei aviso algum e indaguei ao motorista: “Passa cartão?”. A reposta foi um aceno, indicando que não. Não embarquei (estava sem dinheiro) e “amarguei” longa espera pelo “aqui, só cartão”. Em outra ocasião, verifiquei o aviso: “executivo”, embarquei, paguei a passagem, pensando o lógico: quem tem uns trocados não é “executivo”, este tem veículo com motorista particular, ou helicóptero (que está na moda).
Em nenhuma destas “aventuras” encontrei o “cobrador”, esta função está “calcada” no motorista, atrapalhando sua atribuição central, tomando tempo dos passageiros (o troco) e contribuindo com a diminuição de “postos” de trabalho, isto, sim, “inteligentemente”, com menos “obrigações sociais” para alguns empresários e mais problemas sociais.
Chegando ao “terminal de transporte”, tenho meus passos atrapalhados por vendedores ambulantes e fixados, tomando espaço de locomoção. Resolvi empreender superficial investigação. Sem muito esforço, logo percebi que ali havia “testas de ferro” de empresários, vendendo produtos de comerciantes estabelecidos, que lhes “confiam” mercadoria, valendo-se de um “trabalhador” que não lhes custa “previdência”, ou qualquer obrigação social, e que “embaraçam” o passageiro que busca transbordo.
Eliminar postos de trabalho, como se fez com cargo de cobrador nos coletivos, nunca pode ser bem-vindo. Temos uma população significativa que, por imperdoável falha no sistema educacional formal, não tem formação técnico-profissional para “encarar” atividades que o avanço tecnológico trouxe. Eliminar posto de trabalho para dar lugar a “esquema amparado em tecnologia” é punir duplamente o trabalhador. O cobrador no transporte público sempre foi um “condutor auxiliar”, sinalizando para o motorista a possibilidade ou não de conversão à direita, o momento livre para arrancar o veículo, observando a ordem interna nele, facultando o acesso de quem não tem o “cartão passe”, cuidando do troco e, melhor, estando na estatística dos “com carteira assinada”, e não dos dos informais, dos clandestinos úteis, como os ambulantes utilizados pelos estabelecidos, acima mencionados.
Que a inteligência dirigente do transporte público se “contamine” com a sensibilidade cidadã, o suficiente, para minimizar os embaraços que o transporte público “oferece” ao seu usuário.