Esse descaso no repasse de dados mais contudentes é demonstrativo de como agiu o secretário Jaime Verruck no episódio da morte dos peixes destinados ao Aquário.
O maior elefante branco de Mato Grosso do Sul, o Aquário do Pantanal, deve ficar pronto somente em 2016. O que já era informação repassada por integrantes do governo estadual, foi confirmado na manhã de ontem pelo governador Reinaldo Azambuja. A obra está na lista do Programa Obra Inacabada Zero. São cerca de 200 projetos de gestões anteriores que, segundo Azambuja, serão finalizadas ainda na gestão tucana. Além do “esqueleto” que agora faz parte da paisagem da avenida Afonso Pena, há ainda algumas dezenas - ou centenas - de peixes que deveriam ser destinados ao emprendimento que estão morrendo em tanques na Polícia Militar Ambiental (PMA), em Campo Grande. Até agora, nenhuma informação contundente do secretário do Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck foi dada sobre o episódio.
Em junho, a mortandade dos peixes veio à tona e, por semanas, esperava-se uma resposta do secretário do Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade), Jaime Verruck. Quase no fim do mês, a explicação de que havia três causas para a dizimação dos animais: hipotermia, transporte para o tanque ou de bactérias. O contrato de R$ 5,2 milhões com a Anambi Análise Ambiental - empresa responsável pela manutenção das espécies - foi rescindido. Deste total, R$ 3 milhoes foram gastos e R$ 2,2 milhões já tinham sido bloqueados da conta da Anambi, em abril, por causa de gastos excessivos com pagamento de pessoal. A tutela passou para a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) que assumiria a função até a conclusão das obras.
Depois disso, deputados estaduais formaram comissão para apurar a morte dos peixes. Além disso, inquérito foi aberto pelo Ministério Público Estadual (MPE), para apurar se houve negligência na manutenção dos animais, observando licenciamento ambiental, captura, manejo, guarda e conservação. A assessoria da Semade limita-se a responder que continua com a responsabilidade de cuidar dos animais, com custo mensal de R$ 3 mil, sem alteração no número de exemplares, desde junho. Não informaram se o inventário previsto foi feito e que adequações milagrosas foram feitas, desde junho, que garantiram a vida dos que restaram. Aliás, poderiam até repassar esse know-how para a Anambi.
Esse descaso no repasse de dados mais contudentes é demonstrativo de como agiu o secretário Jaime Verruck no episódio da morte dos peixes destinados ao Aquário. Desde que o caso foi divulgado pela imprensa, pouco - ou quase nada - se ouviu da voz do secretário. O que foi declarado não esclarece como a negligência da empresa responsável pela manutenção dos exemplares passou desapercebida por ele, sendo necessário que a maioria morresse para que alguma providência fosse tomada. É dinheiro público que foi jogado fora, a exemplo do que ainda será gasto com o término do Aquário do Pantanal. Na gestão anterior, o estimado era gastar R$ 87 milhões, com entrega em novembro de 2014. Agora, é torcer para que nenhum contratempo possa atrapalhar os planos e que, finalmente, o Aquário seja entregue no ano que vem.