A transição entre a expectativa e a decepção ocorrida em Três Lagoas é certamente um retrato da triste situação econômica brasileira
Iludir, ficar sem resultado, malograr-se, privar a outrem do que espera com fundamento. Estes são alguns dos significados da palavra frustrar, conforme os principais dicionários da língua portuguesa. Na cidade de Três Lagoas, uma das que mais cresceram nos últimos anos em Mato Grosso do Sul, o emprego da palavra frustração para definir o sentimento coletivo da população local, nunca foi tão adequado como no momento atual.
O município localizado no Oeste de Mato Grosso do Sul cresceu muito nos últimos 15 anos. Isto é inegável. Passou de quarta mais populosa e mais rica do Estado para a terceira posição, deixando Corumbá para trás. O que ocorre é que por causa da grande expectativa da população local em meio aos anúncios de investimentos bilionários, a decepção ocorreu na mesma proporção.
A crise econômica brasileira, fruto da turbulência política e da má gestão econômica do governo Dilma Rousseff atingiu em cheio a cidade do interior do Estado. Se há dois anos a cidade sul-mato-grossense era só otimismo, com a instalação de três das quatro maiores indústrias de papel e celulose do Brasil (Fíbria, Eldorado e International Paper), além do anúncio de valores bilionários para construção de fábrica de fertilizantes de subsidiária da Petrobras, hoje, as ruas de Três Lagoas colecionam dezenas prédios comerciais fechados, como um hotel inteiro, por exemplo, conforme reportagem publicada na edição de ontem do Correio do Estado.
A fábrica de fertilizantes não se concretizou. As indústrias de papel mantiveram seus investimentos, mas é notório que a queda de demanda por papel provocada pela crise econômica reduz o otimismo do setor. Empresários e empreendedores que há mais de dois anos investiram em Três Lagoas na esperança de também ganhar com o crescimento extraordinário da cidade, e não colocaram a crise econômica atual em suas previsões, agora estão em situação complicada.
O impacto da crise econômica no otimismo do três-lagoense pode ser explicado também por números. Foram 1.430 postos de trabalho fechados no município desde janeiro deste ano e a grande maioria dos empregos extintos na cidade vem da área que mais gerou expectativa, a indústria de transformação, que tem 924 vagas a menos que no ano passado.
Ontem, a Fibria Celulose inaugurou sua segunda unidade industrial no município. A presidente Dilma Rousseff chegou a confirmar presença no evento, mas cancelou sua participação na última hora. Se tivesse ido, enfrentaria protestos por causa do cenário atual. A população local queixa-se da recessão, mas claro, considera os investimentos da empresa na cidade, muito bem-vindos, por representarem um oásis em meio ao deserto da retração econômica.
A transição entre a expectativa e a decepção ocorrida em Três Lagoas é certamente um retrato da triste situação econômica brasileira.