Somos caminheiros no caminho da saudade e da esperança. Somos dotados de inteligência e memória. A memória cultiva a saudade de quem viveu conosco e agora se encontra na glória. A inteligência elabora motivos e razões de também alcançar essa glória tão sonhada, mas ao mesmo tempo tão desconhecida.
Não é fácil desvendar esse mistério que se relaciona com a vida e com a morte. A vida, de uma maneira ou outra, tentamos e lutamos para vive-la. Dúvidas, medos e contrariedades não conseguirão impedir de viver. Até a doença, ou as provações mais crueis não serão suficientes para que alguém desanime de viver.
A luta pela vida torna-se força para resistir à morte. Mas a morte é a dura ou abençoada certeza da qual ninguém se livra e permanece no pensar de cada um. Sabemos que mais dias ou menos dias, será ela que marcará a mudança, ou a passagem para o eterno.
Mesmo que continuem as dúvidas, existe uma força dentro de nós que se chama fé. Essa fé é a que contribui para aceitar as limitações de tempo e de espaço. É ela que nos fortalece na hora da dor, abre um caminho de luz na hora da incerteza, e alimenta a esperança que se transformará em alegria de vida e de glória na eternidade.
O apóstolo Paulo, falando ao povo de Roma que andava com muitas dúvidas e até muitas descrenças a respeito da vida após a morte, diz: “Penso que os sofrimentos do momento presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós. A própria criação espera com impaciência a manifestação dos filhos de Deus. Sabemos que a criação toda geme e sofre dores de parto até agora” (Rom.8,18-22).
O apóstolo alerta sua comunidade para não permanecer no medo e nem na dúvida. Afinal, se Cristo ressuscitou e retornou à glória do Pai, nós também haveremos de ressuscitar e retornar à mesma glória.
Contudo, somos humanos. E, como humanos, somos limitados em nossa inteligência e em nossas decisões. A inteligência abre caminhos, mas deixa incertezas. Resolve inúmeros problemas, mas permanecem certas incógnitas. Esclarece muitas dúvidas, mas não consegue desvendar os muitos mistérios que envolvem nosso viver.
Nem por isso deveremos cruzar os braços e julgar-nos impotentes. Caminhamos confiantes no caminho da fé fortalecendo nossa esperança como garantia de que estamos indo para o eterno, pois somos eternos, somos frutos do eterno.
Não morreremos jamais. Só a matéria que forma nosso corpo precisa morrer para garantir a libertação total. E a vida, sendo eterna, não morre. Retorna para a glória do Pai livre das limitações materiais e humanas.
E nosso viver nesse mundo continuará sendo alimentado pela saudade de quem já passou para o melhor e pela esperança de que também iremos compor esse novo povo, esse novo mundo, esses novos céus e essas novas terras.
É maravilhoso saber administrar esses mistérios que envolvem nosso viver e nosso jeito de ser. Nisso estará a perfeita alegria.