Não há qualquer movimento da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública no sentido de combater a venda de entorpecentes aos nossos jovens.
Reportagens publicadas recentemente neste jornal demonstram como a segurança pública é o setor que mais necessita de atenção da administração de Reinaldo Azambuja, porém, é um dos que menos é lembrado pelos (poucos) projetos recentes do governo do Estado.
Na edição de ontem do Correio do Estado, por exemplo, mostramos a violência do início deste feriado prolongado. Somente no último sábado, foram três assassinatos ocorridos em Campo Grande. A constatação ainda pior vem da origem destas mortes: duas delas estão relacionadas com o tráfico de drogas.
No Jardim Colibri, rapaz de 20 anos de idade morreu ao ser atingido por três disparos de arma de fogo. Dentro do boné e da cueca dele, havia pequenas porções de cocaína, sinal de que ele possivelmente ele tenha sido alvo de cobrança de traficantes de droga.
Também no sábado, outro rapaz, de 24 anos de idade, foi executado no Centro de Campo Grande com tiro nas costas. A Polícia Civil também acredita que o rapaz tenha sido morto por traficantes em outra possível cobrança. No outro assassinado do início de feriado, um homem foi assassinado durante festa, única morte que, aparentemente, não tem relação com o comércio ilegal de entorpecentes.
O tráfico de drogas, como se percebe, é o crime a ser combatido para evitar mortes violentas. Estes assassinatos ocorridos em Campo Grande no último sábado também expõem a necessidade do combate às quadrilhas de traficantes urbanos, que vendem a droga no varejo.
O que se nota ao acompanhar o noticiário policial, contudo, é que nem o tráfico urbano, nem a comercialização de drogas no “atacado” é combatida. Todas as semanas temos casos de caminhões e carros apreendidos transportando drogas em outros estados brasileiro. Veículos que passaram pelo território sul-mato-grossense sem qualquer abordagem policial.
Em Mato Grosso do Sul, sempre que se fala de tráfico de drogas se fala em transporte de drogas para outros estados brasileiros, mas pouco se pensa que em nossas cidades também há consumo de entorpecentes. Os assassinatos deste fim de semana são a prova disso.
Infelizmente, não há qualquer movimento da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) no sentido de combater a venda de entorpecentes aos nossos jovens. É mais fácil para o governo do Estado jogar a culpa no governo federal, sempre que cobrado. Diga-se de passagem, a administração em Brasília também pouco faz para combater o grande tráfico.
O que falta em Campo Grande e em outras grandes cidades de Mato Grosso do Sul é estratégia das polícias Civil e Militar para fechar pontos de venda de droga e prender traficantes que fazem a venda de entorpecentes no varejo. Há muito pouco planejamento, e a maioria das prisões de vendedores de droga ocorre, normalmente, por acaso, sem trabalho investigativo.