É preocupante o quanto estamos à mercê de bandidos, enquanto não existe ação estratégica e contundente da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública.
O ano tem sido difícil para a população em Campo Grande. Além de enfrentar os dissabores de má gestão municipal, que transformou a cidade em verdadeiro “queijo suíço”, com buracos espalhados em praticamente todas as ruas da cidade, falta de iluminação nos bairros e sujeiras, ainda há a crescente criminalidade. Somente no feriado, foram nove assassinatos, casos cada vez mais frequentes que demonstram a banalização da vida. Alia-se a isso à fragilidade do sistema de segurança pública, com falta de viaturas para fazer o policiamento ostensivo. É preocupante o quanto estamos à mercê de bandidos, enquanto não existe ação estratégica e contundente da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Entre as mortes, há casos de desavenças que provavelmente não seria evitados como a de um rapaz de 21 anos, morto a tiros no bairro Guanandi seis meses depois de deixar a prisão. Neste caso, podem ser suscitados outros questionamentos, como o sistema de reinserção social do preso, falta de oportunidades ou a volta para o crime como única opção vista. Porém, em vários outros registros, o patrulhamento ostensivo poderia contribuir, e muito, para a queda nos índices de criminalidade na cidade. De janeiro até agora, foram 13,4 mil furtos em Campo Grande e 5,3 mil roubos, além de oito casos de sequestro e cárcere privado e 2,7 mil lesões corporais dolosas.
A precariedade é relatada, ainda que no anonimato, pelos integrantes da força de segurança. Em reportagem do Correio do Estado, policial do Batalhão de Choque da Polícia Militar relata que a burocrática manutenção das viaturas - poucas para a necessidade da cidade - atrapalha a vigilância recorrente. Assim, muitos militares ficam “aquartelados”, participando de cursos ou simplesmente à disposição, mas sem condições de sair por falta de mobilidade.
A Associação de Cabos e Soldados da PM do Estado calcula que, das 58 viaturas disponíveis, aproximadamente 60% estão em manutenção constante. Há o projeto da locação de carros que, até agora, ainda está em desenvolvimento. A empresa responsável pelos veículos já foi definida, porém, há entraves contratuais que ainda devem ser resolvidos. A opção, segundo o governo estadual é mais prática e barata, porém, ainda não saiu do papel.
Campo Grande está precária em vários setores: saúde, iluminação pública, pavimentação e ainda segurança. Nâo está clara qual a estratégica de segurança e fiscalização que está sendo adotada pelo secretário Silvio Cesar Maluf. As operações feitas nos bairros, de forma integrada, são sazonais e surtem efeito relâmpago: mal as viaturas saem, os criminosos voltam e reativam os pontos de venda de droga e os crimes continuam. A falta de estrutura compromete o serviço e ainda desanima os policiais que deveriam estar nas ruas, mas acabam cumprindo trabalho interno por não ter como fazer o policiamento nas ruas.
Há também a necessidade constante de treinamento e capacitação dos militares. O que se vê hoje é população cada vez mais acuada , a criminalidade crescente e ações questionáveis da Sejusp, que ainda não mostrou a que veio nesta gestão.