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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste sábado: "Arrocho e consequências"

Editorial deste sábado: "Arrocho e consequências"

Redação

07/11/2015 - 00h00
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Há de preparar para nova avalanche que vem por aí, pacote que inclui arrocho fiscal do governo estadual e, mais especificamente, para os campo-grandenses, alta do IPTU.

A derrocada financeira deve ser a maior lembrança da população em relação a 2015. Pouco a pouco, o poder de consumo foi caindo, até entrar na esfera do que era reservado para o pagamento das contas.

Nem esta reserva permaneceu intocada, visto o crescente índice de inadimplentes no País, total que chegou a 57 milhões de brasileiros e 4 milhões de empresas, o último, mais da metade das 7,9 milhões dos empreendimentos em atividade.

Em Mato Grosso do Sul, há de preparar para nova avalanche que vem por aí, pacote que inclui arrocho fiscal do governo estadual e, mais especificamente, para os campo-grandenses, alta do IPTU e a incômoda colocação no ranking de uma das capitais com custo de vida mais caro no País.

Durante a semana, o governador Reinaldo Azambuja foi alvo do primeiro grande levante desfavorável à gestão, referente ao pacote de aumento de impostos que foi levado à Assembleia Legislativa.

O que parecia  ter sido negociação fácil com os deputados - que a proposta passou em primeira votação - tornou-se pedra no sapato tucano, em consequência direta da gritaria feita pelos setores produtivos e da população, indignados com a elevação do ICMS de produtos considerados supérfluos, mas que fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas.

Além do aumento na ponta da cadeia de consumo, que óbviamente será repassada, o que vem antes pode ser mais assustador: aumento do desemprego e fechamento de empresas que não vão conseguir arcar com a difícil missão de equilibrar aumento do custeio, da carga tributária com  redução nos lucros.

O embate ainda não acabou, já que  o governo  tenta emplacar, a todo custo, o reajuste do imposto sobre herança, o ITCD. E, ao que tudo indica, irá conseguir, depois de negociar com deputados redução mínima dos percentuais. 

Em Campo Grande,  já foi anunciado o aumento de 9,57% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). É prenúncio do que espera a população para 2016, que depara-se a cada dia com mais dificuldades para equilibrar as contas. Em outubro, segundo Dieese, o preço da cesta básica teve alta de 0,75% em relação ao mês anterior, sendo a 5ª mais cara do País. Ontem, o IBGE divulgou a inflação, a segunda maior entre as 12 capitais brasileiras avaliadas. O item Habitação foi o que impulsionou os gastos, mais precisamente, botijão de gás.

Está cada vez mais difícil vislumbrar melhora, com mínimo de equilíbrio financeiro. Os cortes de gastos estão sendo feitos há meses pela população e empresas em todo o País. O governo federal ainda não conseguiu encontrar caminho para evitar a crescente retração.

O aumento de impostos, medida adotada por administrações públicas há anos, não irá surtir o efeito esperado, mas, infelizmente, é alternativa adotada pela maioria, a exemplo do que está acontecendo em Mato Grosso do Sul. A consequência imediata é a queda no consumo, das vendas, chegando ao círculo vicioso atrelado ao cenário, com desemprego, inadimplência e decréscimo dos índices da economia.

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