Cada ser humano tem sua maneira de olhar a realidade. Esse olhar vai acompanhado de algum interesse, algum desejo, ou mesmo algum projeto. É comum as pessoas, ao olharem algum objeto, alguma mercadoria, ou qualquer coisa, pensarem em que poderia ser útil ou o que poderia lucrar com a mesma.
Ninguém olha de graça. Sempre coloca algum interesse naquilo que olha. Penso: como é o olhar que dirigimos à pessoa? Será um olhar gratuito e de admiração, ou interesseiro? E o olhar dirigido a um morador de rua? O olhar dirigido a quem se encontra prisioneiro da droga, ou do álcool? Para muitos será um olhar de indiferença, ou desprezo, mantendo distancia e medo de se aproximar e de se comprometer.
E a sociedade continuará dividida entre os que permanecem à distância lamentando e os que se aproximam e se apaixonam dos sofredores. Continuará dividida entre os que oferecem alguma sobra e aqueles que colocam sua vida a serviço do amor. Continuará dividida entre os que emitem juízos de desprezo e os que acolhem com um coração fraterno e solidário.
Por onde andarmos encontraremos contrastes e muitas diferenças nas atitudes, no julgamento e na análise da realidade social, política e religiosa. Cada qual constrói projetos pessoais e não admite interferências de qualquer gênero.
São indivíduos que se julgam donos da verdade e se isolam em seu mundo com seus planos. No campo religioso elaboram uma maneira própria de relacionamento com Deus.
Há quem crie para si uma divindade especial e vive de acordo com seus conceitos e suas normas. São indivíduos que vão definindo seu rumo baseados numa filosofia de vida pessoal e querendo distancia de problemas. São indivíduos que se fecham em condomínios pensando em garantir sua segurança. São de poucos amigos.
Só aceitam amigos da mesma casta social. Andam em permanente alerta e atenção. Dificilmente freqüentam festas populares. O coração deve andar sempre apertado. A vigilância estará sempre ativada.
Não adianta lamentar. Cada qual escolhe sua maneira de viver e seu ambiente a freqüentar. Tudo seria diferente se conseguíssemos derrubar os muros que separam os ricos dos pobres. E construíssemos ambientes de solidariedade e de partilha fraterna.
O mundo passaria a celebrar a alegria contagiante e transformadora. Não haveria sobras. Haveria mesas fartas. Haveria ruas amigas para unir bairros. Haveria quarteirões solidários e comunidades fraternas. Haveria nações comungando o mesmo amor e a tão sonhada paz.
Tudo isso será realidade quando os seres humanos colocarem o coração a serviço da vida e do amor. Tudo acontecerá quando passarmos a olhar com os sentimentos de carinho e de ternura que se encontra nos corações ansiosos por fazerem um mundo feliz.
Com certeza encontraremos corações abertos e acolhedores; as mãos prontas e disponíveis para partilhar. E o olhar não será mais egoísta e interesseiro. Será um olhar a revelar um coração feliz e abençoado por Deus.