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Ruben Figueiró de Oliveira: O diário do presidente

Ruben Figueiró de Oliveira é Ex-senador da República

Redação

09/11/2015 - 00h00
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No dia 29 de outubro, a nação assistiu um grande evento que extravasou os limites da política – o lançamento do primeiro volume de uma série de quatro de “O diário do presidente” de autoria de Fernando Henrique Cardoso, enquanto no exercício de tão excepcional missão. 

Embora pleno de curiosidade, ainda não o tenho em mãos. Porém, já li, já ouvi muito sobre a repercussão do momentoso acontecimento, sobretudo as explicações do próprio autor das razões fundamentais de sua decisão extremamente corajosa de tornar pública ainda em vida (que almejo seja longa) registros de memórias de seu dia a dia nos palácios do Planalto e da Alvorada. 

Das minhas leituras preferidas, desde o arbor da minha idade, tem sido para aquelas de memórias, de biografias de personalidades que se destacaram na vida nacional, bem como de lideranças mundiais. Recordo-me dos diários de Getúlio Vargas, memórias como de Juscelino Kubitschek, João Goulart, Ernesto Geisel e José Sarney, dentre outros. De Wiston Churchill, Bill Clinton, Adenauer. Todos, à exceção de Vargas, pouco acentuaram sobre os seus estados de espírito após os embates do dia a dia de suas atividades presidenciais. Não abriram as janelas de seus sentimentos. FHC o fez. Não as deixou à escondida, não se prevaleceu do “deixa para lá”, o que vagava no momento em sua consciência. Aí está o mérito de suas revelações.

FHC demonstrou inusitado destemor, revelou sua coragem cívica, hoje tão rara entre os homens públicos, geralmente avessos à transparência de seus sentimentos mais íntimos. Espero que os volumes de “O diário do presidente” nos permitam conhecer e conscientizar de como é árduo o processo do exercício de um munus, repito excepcional, de uma presidência da República. Como afirmara o meu querido e saudoso amigo potiguar João Faustino Ferreira Neto, em seu livro “Eu perdoo”, o caminhar pela estrada pública não é sobre areia macia, mas sobre pedregulhos. Fernando Henrique está mostrando esse caminho, ora de orgulho por servir à Nação, ora – e o mais das vezes – de atribulações múltiplas que as nuvens tempestuosas o ameaçam.

Convivi ao longo de minha caminhada pela vida pública com eminentes personalidades tanto da esfera federal, como de nosso estado e do Mato Grosso, enquanto uno. Com algumas delas, pela amizade que a elas me unia, tive a liberdade de sugerir-lhes, em momentos de fraternal tertúlia, que escrevessem sobre a presença exitosa nessa também conturbada – e o mais das vezes incompreendida – qual o exercício de um mandato público como da relevância de uma governadoria, prefeitura ou de parlamentar, neste como vereador, deputado ou senador da República.

Me permito, com o registro das saudades e do respeito que por elas dedico, mencionar os ex-governadores Fernando Correa da Costa, José Manoel Fontanillas Fragelli, os ex-prefeitos Marcílio de Oliveira Lima e Lúdio Coelho. Também os ex-senadores Rachid Saldanha Derzi e Ramez Tebet. Do ex-vereador Paulo Coelho Machado, a principal liderança da campanha pela criação de Mato Grosso do Sul. Nenhum deles quis deixar por escrito suas memórias pela peregrinação na senda política. Quão importante seria. Uma pena.

Como registrado está nos anais do Império Romano, “aedificare  monumenti perennis sicut aes”, ou seja, construir um monumento tão perene quanto o bronze. É o que com a consciência tranquila e força cívica de um Hércules, assim fez, com a publicação já do primeiro volume de seu Diário de presidente, Fernando Henrique Cardoso, abrindo os seus sentimentos para os seus concidadãos.

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